Animais adotam estratégias extremas de sono para sobreviver; Pinguins tiram sonecas de 4 segundos

soneca de pinguim

Todos os seres com cérebro precisam dormir, e surpreendentemente, até algumas criaturas sem cérebro também. Essa necessidade universal de sono persiste mesmo quando os riscos são altos, como apontou Paul-Antoine Libourel, pesquisador do Neuroscience Research Center de Lyon, França. Quando dormem, os animais se tornam vulneráveis a predadores furtivos, mas a necessidade de descanso é tão intensa que nenhum ser vivo pode ignorá-la completamente, mesmo em circunstâncias adversas.

Para lidar com condições extremas, algumas espécies desenvolveram maneiras inovadoras de dormir. Um exemplo notável são os pinguins-de-barbicha da Antártica. Durante a estação de reprodução, esses pinguins adotam um sistema de revezamento nas tarefas parentais, onde um cuida do ovo ou do filhote enquanto o outro busca alimento. Para garantir o descanso, eles tiram milhares de cochilos curtos, chamados de “microssonos”, que duram em média 4 segundos. Segundo o biólogo Won Young Lee, do Korea Polar Research Institute, esses breves cochilos são suficientes para que os pinguins cumpram seus deveres parentais por semanas em colônias lotadas e barulhentas.

Essa adaptação notável permite que os pinguins durmam um total de 11 horas por dia, como descobriram cientistas ao monitorar a atividade cerebral de 14 pinguins adultos na Ilha King George, na Antártica. Além dos pinguins, aves que passam meses voando também conseguem descansar em voo. Pesquisas recentes, apoiadas por dispositivos que medem atividade cerebral, revelaram que o sono é altamente flexível, ajustando-se às demandas ecológicas de cada espécie, conforme destaca Niels Rattenborg, especialista em sono animal do Max Planck Institute for Biological Intelligence, na Alemanha.

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