O Ministério das Comunicações recebeu um pedido formal da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a suspensão temporária do Programa do Ratinho, exibido pelo SBT. A solicitação, que prevê a interrupção das transmissões por 30 dias, ocorre após declarações feitas pelo apresentador Carlos Massa na edição de quarta-feira (11). Durante a exibição, o comunicador questionou abertamente a identidade de gênero da parlamentar e sua legitimidade no cargo público que ocupa.
As falas que motivaram a ação ocorreram ao vivo, quando o apresentador afirmou que o posto de Hilton deveria ser ocupado por uma “mulher de verdade”. Segundo o apresentador, “ela não é mulher, ela é trans. Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias”. O discurso gerou repercussão imediata e foi classificado pela defesa da deputada como uma conduta que supera a ofensa individual, atingindo coletivamente mulheres trans e travestis ao questionar sua identidade em uma rede de grande audiência.
Além da representação junto ao ministério, Erika Hilton acionou o Ministério Público Federal para investigar o episódio. A parlamentar solicita a abertura de uma ação civil com pedido de indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 10 milhões. A peça jurídica também exige que o apresentador e a emissora realizem uma retratação pública em horário nobre, com tempo de exposição equivalente ao das declarações originais, buscando mitigar o impacto do discurso veiculado.
Em posicionamento oficial, o SBT manifestou-se afirmando que a empresa “repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa”. A emissora esclareceu que as opiniões de Ratinho não refletem a visão da companhia e informou que o caso está sob análise da direção para providências internas. O Ministério das Comunicações ainda avalia o pedido de suspensão da atração, enquanto o processo no Ministério Público segue em tramitação inicial.
