O governo dos Estados Unidos deu início à comercialização de petróleo venezuelano após a captura de Nicolás Maduro, oficializando acordos iniciais que somam US$ 500 milhões. As tradings globais Vitol e Trafigura foram selecionadas pelo Departamento de Energia para liderar as primeiras transações, adquirindo US$ 250 milhões cada. Este movimento faz parte de uma estratégia mais ampla da administração de Donald Trump para vender até 50 milhões de barris e assumir o controle da indústria energética do país sul-americano por tempo indeterminado.
Doações de campanha e negociações na Casa Branca
A transação com a Vitol ganhou destaque devido ao envolvimento de John Addison, negociante sênior da empresa, que doou aproximadamente US$ 6 milhões para comitês de apoio à reeleição de Trump. Addison participou de uma reunião recente na Casa Branca, onde afirmou ao presidente que a companhia buscaria o melhor preço possível pelo petróleo venezuelano para garantir a influência norte-americana na região. A porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, defendeu o acordo, afirmando que “O presidente Trump sempre faz o que é do melhor interesse do povo americano” e classificou as críticas sobre possíveis conflitos de interesse como tentativas da mídia de fabricar polêmicas.
Do ponto de vista econômico, o Secretário de Energia, Chris Wright, informou que os Estados Unidos conseguiram vender o produto a preços 30% superiores aos obtidos anteriormente pelo regime de Maduro. Sob o governo anterior, as sanções forçavam a Venezuela a vender óleo com grandes descontos para refinarias na China. Agora, o plano norte-americano prevê a atração de US$ 100 bilhões em investimentos de petroleiras ocidentais para reconstruir a infraestrutura e aumentar a produção local.
A logística da operação utiliza o terminal de Bullen Bay, em Curaçao, como um centro estratégico de armazenamento e distribuição. O primeiro-ministro da ilha, Gilmar Pisas, confirmou a chegada do primeiro carregamento comprado pela Vitol e Trafigura. O terminal é um dos poucos na região capaz de receber superpetroleiros com mais de 1 milhão de barris, facilitando a movimentação do petróleo venezuelano que, segundo diretrizes de Washington, deve ser destinado majoritariamente a compradores nos Estados Unidos.
Além das tradings, grandes companhias como a Chevron também buscam expandir sua atuação no cenário pós-intervenção. A empresa, que gastou milhões em lobby e doações de campanha, negocia a alteração de suas licenças para aumentar a produção e exportação. Funcionários da administração Trump indicaram que novas vendas de petróleo venezuelano devem ocorrer nas próximas semanas, consolidando o embargo naval e a reestruturação econômica da nação caribenha sob supervisão estadunidense.
