O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou em entrevista recente que não pretende disputar as eleições presidenciais de 2026. Em conversa com a jornalista Míriam Leitão, na GloboNews, o chefe da pasta econômica esclareceu que, embora esteja de saída do cargo, seus planos imediatos não envolvem uma candidatura própria. Segundo Haddad, a decisão de não concorrer foi comunicada de forma transparente: “Não está nos meus planos ser candidato em 2026. Nós vamos conversar. Não tenho nenhum problema em conversar com o PT nem com o presidente”, afirmou.
Transição na Fazenda e indicação de sucessor
Sobre a sucessão no Ministério da Fazenda, Haddad defendeu que a troca de comando ocorra ainda no início do ano para garantir a continuidade técnica. Ele argumentou que a complexidade da pasta, que envolve decretos de execução orçamentária e programação financeira, exige atenção total desde os primeiros dias. O ministro apontou o atual secretário-executivo, Dario Durigan, como um nome de confiança para assumir o posto, destacando o “trânsito na esplanada” e a capacidade da equipe em manter as metas estabelecidas.
Apesar de descartar a cabeça de chapa, Fernando Haddad manifestou total interesse em atuar nos bastidores da política nacional. O ministro revelou que pretende se dedicar integralmente à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Eu penso que posso colaborar de outra maneira para sua reeleição, eu pretendo ajudar na campanha. Já me coloquei à disposição do presidente, do PT”, explicou, reforçando seu compromisso com o projeto político atual.
Durante a entrevista, o ministro também abordou temas críticos do setor financeiro, como o processo de liquidação do Banco Master. Haddad classificou a situação como extremamente grave, citando avaliações de especialistas do setor público e privado que sugerem que este pode ser o maior caso de fraude bancária da história do país. Ele enfatizou que a robustez do processo de liquidação é necessária diante da magnitude dos problemas identificados na instituição financeira.
Outro ponto de atenção discutido foi a crise estrutural enfrentada pelos Correios. O governo federal precisou intervir com um empréstimo bilionário para garantir a operação dos serviços postais, que sofrem com um modelo de negócios defasado e pressões políticas. Haddad admitiu que a real situação financeira da estatal só ficou clara para a equipe econômica no segundo semestre do ano passado, após uma “radiografia” que revelou dados divergentes das informações que chegavam inicialmente.
