O Ministério Público da Espanha decidiu arquivar a denúncia de agressão sexual e tráfico de pessoas contra o cantor Julio Iglesias. A decisão foi fundamentada na falta de jurisdição dos tribunais espanhóis, uma vez que os supostos crimes teriam ocorrido em mansões localizadas na República Dominicana e nas Bahamas, fora do território nacional. Embora o caso tenha sido encerrado na Espanha, as autoridades ressaltaram que as acusações ainda podem ser levadas adiante nos países onde os eventos teriam acontecido.
Investigação e depoimentos
As denúncias contra o artista de 82 anos ganharam visibilidade após uma investigação jornalística conjunta de três anos conduzida pelo portal elDiario.es e pela rede Univision Noticias. O levantamento reuniu depoimentos de 15 ex-funcionários que trabalharam para Iglesias entre o fim da década de 1990 e 2023. Duas dessas mulheres, uma doméstica e uma fisioterapeuta, formalizaram as queixas na Audiencia Nacional, relatando um ambiente marcado por controle constante, humilhações e abusos físicos.
Relatos detalhados descrevem situações graves de violência sexual e assédio. Uma das denunciantes, identificada pelo pseudônimo Rebeca, afirmou que o cantor a convocava frequentemente para seu quarto, onde ocorriam atos sexuais sem consentimento. Segundo o depoimento, ela se sentia “como um objeto, como uma escrava”. Outra ex-funcionária, chamada de Laura, relatou toques indesejados e beijos forçados. Documentos publicados também indicam que o cantor teria exigido que funcionárias realizassem testes para doenças sexualmente transmissíveis.
A decisão da Audiencia Nacional, confirmada por documentos obtidos pela agência Reuters, enfatiza que a legislação espanhola não permite o julgamento de crimes cometidos no exterior sob as circunstâncias apresentadas. Os promotores reiteraram que o arquivamento é estritamente jurisdicional, não entrando no mérito da veracidade das provas apresentadas durante o inquérito preliminar. O documento oficial aponta que a acusação ainda pode ser buscada judicialmente na República Dominicana e nas Bahamas.
Julio Iglesias negou veementemente todas as acusações em um comunicado oficial. O cantor afirmou que as alegações são infundadas e representam uma ofensa à sua trajetória de seis décadas. Em sua defesa, Iglesias declarou: “Nunca abusei, coagi ou desrespeitei qualquer mulher. Essas acusações são absolutamente falsas e me doem profundamente”. O artista manifestou que pretende se defender legalmente contra o que descreveu como uma grave afronta à sua honra.
