O Ministério das Relações Exteriores informou que o Consulado-Geral em Lisboa foi instruído a remeter ao governo brasileiro o passaporte atribuído à modelo Eliza Samudio (1985-2010), encontrado em Portugal, e que o documento ficará disponível em Brasília caso a família queira reavê‑lo. Segundo reportagem do Público, o documento foi entregue ao Consulado na sexta-feira (2) e havia sido localizado em uma casa em Carcavelos, na região metropolitana de Lisboa; o Itamaraty não detalhou com quem o documento foi encontrado nem as circunstâncias da localização.
Em publicação no Instagram, a mãe de Eliza, Sônia Fátima Moura, afirmou que a divulgação do caso apresenta lacunas e pediu esclarecimentos às autoridades: “A história divulgada está cheia de lacunas, coincidências e pontos que não se encaixam. Não acredito que tudo tenha acontecido de forma aleatória. Há fatos mal explicados, perguntas sem respostas e uma condução que apenas amplia a angústia de quem já vive um luto permanente. Essas lacunas não são detalhes–elas pesam, machucam e gritam por esclarecimento”. Ela descreveu ainda a dor causada pelo surgimento do passaporte: “Minha filha está morta. E essa é uma frase que nenhuma mãe deveria repetir todos os dias para si mesma. Ela carrega uma saudade que aperta o peito, que sufoca, que nunca descansa”.
Pessoas ouvidas pela reportagem do Público Brasil disseram que, segundo o passaporte, Eliza entrou em Portugal em 1º de maio de 2007, mas teria pedido uma autorização de retorno ao Brasil com validade até novembro daquele ano, conforme registros do Itamaraty; não há, segundo as fontes, dia exato de retorno ao país nem confirmação sobre se o passaporte foi roubado ou perdido. A publicação também registra que o documento foi entregue ao Consulado na sexta-feira (2) e que a família busca respostas sobre as circunstâncias em que o item foi localizado.
Eliza foi assassinada em 2010 a mando do ex‑goleiro Bruno, com quem teve um relacionamento. Em 2013, Bruno “foi considerado culpado por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver e foi condenado a 22 anos de prisão, depois reduzidos a 20 anos e 9 meses”. A modelo desapareceu com o filho de quatro meses, e o corpo nunca foi localizado; as principais provas no processo incluíram sangue dela encontrado em uma Land Rover do ex‑goleiro e objetos de Eliza e do bebê deixados no sítio do jogador, enquanto os réus negaram envolvimento no crime.
