O Acordo Mercosul-União Europeia será formalmente assinado no próximo sábado, 17 de janeiro, em Assunção, no Paraguai. A confirmação foi feita pelo ministro das Relações Exteriores paraguaio, Rubén Ramírez, após consultas com os demais chanceleres do bloco sul-americano. A assinatura ocorre em um momento estratégico, sob a presidência rotativa do Paraguai, e representa a conclusão de um processo diplomático que se estende por mais de 25 anos, tendo sido recentemente ratificado pelo Conselho Europeu em Bruxelas.
Impactos econômicos e benefícios comerciais
A parceria garante ao bloco sul-americano um acesso preferencial à terceira maior economia do mundo, um mercado consumidor de aproximadamente 450 milhões de pessoas. Segundo o chanceler argentino Pablo Quirno, “a União Europeia eliminará tarifas para 92% de nossas exportações e concederá acesso preferencial para outros 7,5%”, o que resultará em benefícios diretos para 99% das exportações agrícolas do Mercosul. Atualmente, a União Europeia detém cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) global, tornando o tratado um marco para a expansão comercial da região.
Apesar do avanço diplomático, a implementação definitiva do tratado ainda depende de etapas burocráticas e políticas complexas. Após a assinatura, o texto seguirá para o Parlamento Europeu, com decisão prevista para abril, e precisará ser ratificado individualmente por todos os Estados-Membros da UE. Contudo, o processo enfrenta resistência interna, com cerca de 150 parlamentares europeus ameaçando recorrer ao Tribunal de Justiça da União Europeia, medida que pode gerar atrasos de meses ou até anos na entrada em vigor das novas regras comerciais.
