Desde agosto de 2024, o Brasil deveria ter eliminado aterros controlados, valas e lixões a céu aberto, conforme estabelecido pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). No entanto, mais de 28 milhões de toneladas de resíduos ainda têm destinação inadequada, sendo descartados em lixões, queimados ou enterrados. Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, publicado pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), 40,3% do total de resíduos gerados no país enfrentam esse destino inadequado, embora represente uma leve melhora em comparação ao ano anterior, quando a taxa era de 41,5%.
A responsabilidade pela gestão de resíduos sólidos cabe aos municípios, desde a coleta até o tratamento e destinação final. Em 2024, foram geradas 81,6 milhões de toneladas de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) no Brasil, com uma média de 384 kg por pessoa. Destes, 93,7% foram coletados por serviços públicos ou informais, sendo que 59,7% tiveram destinação adequada em aterros sanitários e apenas 8,7% foram reciclados. A reciclagem, por sua vez, é um campo em crescimento, sobretudo a reciclagem bioenergética, que alcança 11,7% de reaproveitamento para geração de energia renovável, superando a reciclagem de materiais secos como plásticos e metais.
Pedro Maranhão, presidente da Abrema, destaca a importância de integrar trabalhadores informais nas políticas públicas de reciclagem, já que eles representam uma parcela significativa do setor. Além disso, o relatório enfatiza o potencial econômico dos resíduos, que podem se transformar em ativos econômicos ao invés de passivos ambientais. Contudo, o país ainda enfrenta o desafio de erradicar quase 3 mil lixões que ameaçam a saúde pública.
