- O Brasil sediará a primeira fábrica mundial de pele de tilápia para uso médico em Jaguaribara (CE), com investimento de R$ 52 milhões.
- A unidade, com operação prevista para janeiro de 2028, produzirá até 12 mil curativos biológicos diários para o tratamento de queimaduras.
- A tecnologia reduz custos de tratamento em 52% e utiliza liofilização para permitir armazenamento em temperatura ambiente por até três anos.
O Brasil vai sediar a primeira fábrica do mundo dedicada ao processamento de pele de tilápia para uso médico em larga escala. A unidade, que receberá investimento inicial de R$ 52 milhões, será instalada em Jaguaribara, no interior do Ceará. A tecnologia é resultado de pesquisas da Universidade Federal do Ceará (UFC) e transforma uma parte do peixe, que normalmente seria descartada, em curativo biológico para queimaduras e feridas de difícil cicatrização.
O projeto industrial será conduzido pelo Consórcio Biotec, por meio da Inova Medical. A previsão é que a fábrica comece a operar em janeiro de 2028, com obras iniciadas em outubro deste ano e duração estimada de 15 a 18 meses. Atualmente, o laboratório da UFC produz 600 peles de tilápia por mês; a nova unidade deve alcançar 4,3 mil unidades por dia no primeiro ano de operação, podendo chegar a 12 mil unidades diárias em uma segunda etapa.
A pele do peixe passa por um processo de preparação e esterilização até se tornar um curativo biológico que adere à superfície da ferida, sendo indicado para queimaduras de segundo e terceiro graus. Uma das principais vantagens é a redução na frequência das trocas de curativo, o que pode diminuir a dor do paciente e a necessidade de procedimentos cirúrgicos repetidos.
Dados da empresa responsável apontam que a tecnologia pode reduzir em 52% o custo total do tratamento de queimaduras em comparação aos métodos convencionais. A expectativa é que a produção industrial ajude a atender parte da demanda do Sistema Único de Saúde (SUS), além de reduzir a utilização de analgésicos opioides.
A fábrica também vai adotar a liofilização para conservar a pele processada, técnica que dispensa refrigeração e garante validade de até três anos em temperatura ambiente. Antes da aplicação, o material precisa ser reidratado com solução fisiológica, o que facilita o armazenamento e o transporte, especialmente para regiões distantes dos centros de produção e para uma possível exportação.
México, Turquia e Portugal já demonstraram interesse na tecnologia, segundo os responsáveis. A escolha de Jaguaribara se deve à proximidade com o Açude Castanhão, uma das principais áreas de criação de tilápia do Ceará, o que permite aproveitar um resíduo da indústria pesqueira como matéria-prima de alto valor. A estimativa é que a fábrica gere, inicialmente, 200 empregos diretos, com capacitação técnica em parceria com a UFC.
Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: Brasil – Tratamento de queimaduras de segundo grau profundo em abdômen, coxas e genitália: uso da pele de tilápia como um xenoenxerto Tratamento de queimaduras de segundo grau profundo em abdômen, coxas e genitália: uso da pele de tilápia como um …
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Perguntas frequentes
Como a pele de tilápia ajuda no tratamento de queimaduras?
Ela atua como um curativo biológico que adere à ferida, reduzindo a dor, a necessidade de trocas frequentes e a frequência de cirurgias.
Por que a fábrica será instalada em Jaguaribara?
A localização foi escolhida pela proximidade com o Açude Castanhão, permitindo o aproveitamento eficiente da tilápia como matéria-prima.
O que é a liofilização mencionada no texto?
É uma técnica de conservação que dispensa a refrigeração, garantindo que o produto tenha validade de até três anos em temperatura ambiente.
