O cinema brasileiro caminha para consolidar sua relevância no cenário internacional nos próximos anos. Segundo a pesquisa Global Entertainment, Media & Telecommunications Outlook 2025-2029, realizada pela PwC, a produção nacional deve responder por quase 2% da receita global do setor cinematográfico em 2029. A projeção indica que, em um mercado mundial estimado em US$ 41 bilhões, a indústria do Brasil — englobando tanto estreias nacionais quanto estrangeiras — será responsável por movimentar cerca de US$ 668 milhões, o equivalente a R$ 3,6 bilhões.
Esse montante representa uma expansão significativa de 34% em comparação ao desempenho registrado em 2024. Naquele ano, o faturamento total atingiu R$ 2,7 bilhões, atraindo mais de 125 milhões de espectadores aos cinemas. Um dos grandes pilares desse crescimento foi o longa-metragem “Ainda Estou Aqui”, que manteve sua força comercial até o encerramento de sua exibição em 2025, acumulando uma bilheteria global superior a R$ 200 milhões.
De acordo com dados do Relatório Focus 2025, elaborado pela Ancine, o Brasil chegou a apresentar o maior crescimento de público entre 21 países avaliados, recuperando 70% do patamar pré-pandemia. Entretanto, o cenário de 2025 registrou uma retração de 10% no volume de espectadores, totalizando 112,5 milhões de pessoas. Desse público, aproximadamente 10% optaram por assistir a produções estritamente nacionais, evidenciando os desafios de fidelização da audiência local diante da concorrência externa.
O otimismo do setor é alimentado por sucessos recentes que elevaram o prestígio do cinema brasileiro no exterior. O filme “Ainda Estou Aqui” conquistou o primeiro Oscar de melhor filme internacional para o país, além de render a Fernanda Torres o Globo de Ouro de melhor atriz em filme de drama. Paralelamente, produções populares como “O Auto da Compadecida 2” quebraram recordes de abertura doméstica, registrando o maior lançamento nacional desde o início do período pós-pandemia.
Outro destaque fundamental na atualidade é a trajetória de “O Agente Secreto”, obra de Kleber Mendonça Filho premiada no Festival de Cannes. O longa-metragem venceu categorias importantes no Critics Choice Awards e no Globo de Ouro, incluindo melhor filme em língua não inglesa e melhor ator para Wagner Moura. A produção é a principal aposta brasileira para a próxima edição do Oscar, gerando grande expectativa para o anúncio oficial dos indicados que ocorre no dia 22.
Os dados preliminares de 2026 já demonstram o fôlego do mercado, com mais de 5 milhões de brasileiros frequentando as salas nas primeiras semanas do ano, gerando uma receita de R$ 123 milhões. “O Agente Secreto” segue impulsionando esses números, com um faturamento global de R$ 50 milhões e uma expansão para 320 salas em todo o território nacional após o sucesso em premiações.
