Coalizão de 90 entidades denuncia censura sistemática da Meta sobre política de drogas no Brasil

censura sistemática da Meta

Uma coalizão formada por quase 90 organizações da sociedade civil, articulada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), enviará uma carta à Meta criticando o que classifica como “censura sistemática” a conteúdos sobre política de drogas. O grupo, composto por associações de pacientes, juristas e movimentos sociais, denuncia a remoção recorrente de perfis ligados ao debate sobre a maconha no Facebook, Instagram e WhatsApp. Segundo o documento, essas restrições prejudicam tanto o acesso a informações de saúde quanto a organização de manifestações legítimas.

O documento relata episódios de suspensões consideradas arbitrárias, como a desativação de 50 perfis em um único final de semana, abrangendo médicos, influenciadores e páginas da Marcha da Maconha. Entre os casos mais graves está a exclusão permanente de uma conta com duas décadas de atuação e cerca de 160 mil seguidores, que servia como acervo histórico do debate canábico no país. De acordo com o texto enviado à empresa, a Meta costuma atribuir esses bloqueios a um “erro de algoritmo”, justificativa que as entidades consideram insuficiente diante do impacto causado.

A judicialização de casos também é citada como prova de falhas na moderação. O perfil da Associação de Apoio e Pesquisa Cannabis Cura, por exemplo, ficou fora do ar por quase cinco meses e só foi restabelecido por ordem da Justiça de São Paulo, que não identificou violações às regras da plataforma. As entidades ressaltam que a remoção de perfis institucionais às vésperas de atos públicos, como ocorreu em Belo Horizonte, compromete o direito à livre manifestação e a disseminação de dados científicos e médicos essenciais para a população.

A coalizão busca agora uma reunião com a diretoria de políticas públicas da Meta no Brasil para exigir maior transparência e a reativação de contas suspensas. Entre as exigências estão a adequação das regras de moderação à legislação brasileira e o compromisso de não restringir o debate sobre drogas durante as eleições de 2026. Assinam a carta organizações como a Plataforma Brasileira de Política de Drogas, a Artigo 19 e a Federação de Associações de Cannabis Terapêutica. Procurada, a Meta informou que não comentará o caso.

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