O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, tentou realizar a venda de uma cobertura de luxo avaliada em R$ 60 milhões no mesmo dia em que teve sua primeira prisão decretada. O episódio ocorreu em 17 de novembro de 2025, data que marcou o início da primeira fase da Operação Compliance Zero. Localizado no Itaim Bibi, zona sul de São Paulo, o imóvel tornou-se o centro de uma negociação acelerada que começou apenas três dias antes da ação da Polícia Federal.
As investigações, fundamentadas na quebra de sigilo telemático, apontam que a transação envolveu figuras de destaque no cenário jurídico e imobiliário. A corretora Regiane Bernandes atuou como representante de Vorcaro, enquanto a empresa compradora, Obsidian, foi assessorada por Bruno Bianco, ex-ministro da Advocacia-Geral da União (AGU). A intermediação das conversas também contou com a participação de membros da Bolsa de Imóveis, conforme demonstram os e-mails interceptados pelas autoridades.
Pressão e entraves burocráticos na negociação
Durante a tarde do dia 17, as mensagens trocadas revelam uma pressão contínua por parte da equipe do banqueiro para agilizar os trâmites da venda. A representante de Vorcaro insistiu em diversos momentos que aquele seria o prazo final para a conclusão do negócio, coincidindo com o período em que o mandado de prisão já havia sido expedido. A urgência era motivada pela tentativa de salvar a transação com o grupo Fictor antes que a operação policial impedisse qualquer movimento financeiro.
Apesar do esforço para acelerar o processo, a venda não foi concretizada devido à falta de um contrato de Sociedade em Conta de Participação (SCP), que deveria acompanhar o termo de quitação. Embora o documento principal tenha sido entregue às 17h, a pendência impediu a assinatura definitiva do contrato. Daniel Vorcaro acabou sendo detido às 22h daquela noite e, após ser solto em 28 de novembro, voltou a ser preso recentemente durante a terceira fase da mesma operação.
