- O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciou planos para realizar ataques terrestres contra cartéis de drogas na América Latina.
- A estratégia visa tratar traficantes como alvos terroristas, utilizando táticas de combate aplicadas anteriormente contra grupos como o Estado Islâmico.
- A iniciativa faz parte da Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis (ACCC), que busca exercer influência regional sob o chamado 'corolário Trump' à Doutrina Monroe.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou nesta quarta-feira (12/08) que o país pretende realizar ataques terrestres para desmantelar cartéis de drogas na América Latina. A declaração foi feita durante visita ao Panamá, onde Hegseth afirmou que o governo de Donald Trump está trabalhando com Equador, Colômbia e outros parceiros para levar a luta contra o tráfico de drogas para o solo.
Em entrevista coletiva em um centro de treinamento militar, Hegseth respondeu a um jornalista comparando a nova estratégia às ofensivas já realizadas contra barcos de organizações de tráfico. “Como você viu com as ofensivas contra barcos de organizações de tráfico de drogas — será o mesmo efeito em terra”, disse.
Desde setembro de 2025, os EUA iniciaram ataques contra embarcações suspeitas de envolvimento com o tráfico, resultando em mais de 150 mortos. Hegseth reforçou que qualquer pessoa que trafique drogas ou ameace os americanos e seus parceiros será tratada como alvo, “assim como o Estado Islâmico ou a Al-Qaeda”.
O secretário também destacou a experiência americana em operações de combate a redes terroristas. “Passamos 25 anos aperfeiçoando a cadeia de operações para diagnosticar e atacar redes do outro lado do mundo. Que tal aproveitarmos essas competências, com os melhores profissionais americanos, e aplicá-las aqui?”, questionou, mencionando desde a base do tráfico de cocaína até o fentanil e o controle territorial no México.
Perguntado sobre possíveis ações contra remanescentes das Farc e do ELN na Colômbia, Hegseth afirmou que organizações designadas como terroristas serão alvos legítimos dos EUA em conjunto com governos parceiros, incluindo a Colômbia. O país aderiu recentemente à Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis (ACCC), após a posse de Abelardo de la Espriella, alinhado a Trump.
A ACCC, conhecida como Escudo das Américas, foi criada em março para combater o narcotráfico, a imigração irregular e limitar a interferência estrangeira geopolítica. O grupo reúne líderes como Nayib Bukele e Javier Milei, enquanto Brasil e México, liderados por presidentes de esquerda, não participam.
Durante a visita, Hegseth voltou a citar a Doutrina Monroe, de 1823, e o “corolário Trump”, que reafirma a intenção de exercer poder na região e impedir influências externas. “Levamos muito a sério o corolário Trump à Doutrina Monroe; não se trata apenas de retórica… É o reconhecimento de que organizações terroristas estrangeiras não controlarão nosso hemisfério”, declarou, mencionando a preocupação com o Canal do Panamá.
Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: Globo
LEIA MAIS:
- Renan Santos afirma ter provas de acesso indevido a e-mail de Flávio Bolsonaro
- Candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto trava no TSE após erro em filiação
Perguntas frequentes
Quais países estão envolvidos na nova estratégia dos EUA?
O governo americano trabalha com parceiros como Panamá, Equador e Colômbia, que aderiu recentemente à Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis.
Como os EUA pretendem combater os cartéis em terra?
O governo planeja aplicar a mesma cadeia de operações utilizada contra redes terroristas, tratando traficantes como alvos legítimos de ataques militares.
O Brasil participa dessa coalizão?
Não. O Brasil e o México, liderados por presidentes de esquerda, não fazem parte da Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis.
