O mercado financeiro brasileiro registrou uma segunda-feira de baixa liquidez e leve queda no dólar, influenciada pelo feriado nos Estados Unidos e pelas recentes declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Em entrevista ao portal UOL, o ministro confirmou sua intenção de deixar o comando da pasta até o final de janeiro, embora seu futuro político permaneça em aberto. Enquanto no cenário externo o foco recai sobre as tensões comerciais envolvendo o governo de Donald Trump, no Brasil, a atenção se volta para a sucessão na equipe econômica e o balanço da gestão atual frente aos desafios fiscais.
Balanço fiscal e metas econômicas
Durante a entrevista, Haddad rebateu críticas sobre o controle das contas públicas, enfatizando o compromisso da gestão com a responsabilidade fiscal. O ministro destacou que o déficit primário foi reduzido em 70% em dois anos, caindo para 0,48% do PIB no último ano, em contraste com a projeção de 1,6% herdada da administração anterior. Segundo o chefe da Fazenda, a meta para este ano é ainda mais rigorosa. “A meta de resultado primário para este ano é ainda mais exigente do que a do ano passado, do retrasado e do primeiro ano de governo”, afirmou, ressaltando que o plano econômico apresentado ao presidente Lula em 2022 foi devidamente cumprido.
Regulação bancária e o caso Banco Master
Outro ponto central da fala do ministro foi a defesa da ampliação das atribuições do Banco Central (BC). Haddad propõe que a autoridade monetária passe a fiscalizar fundos de investimento, tarefa hoje sob responsabilidade da CVM, para evitar crimes financeiros e garantir maior transparência contábil. Sobre as investigações envolvendo o Banco Master, o ministro descartou riscos para o sistema financeiro nacional. Ele esclareceu que eventuais rombos serão cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e elogiou a condução do atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, que teria herdado a situação da gestão de Roberto Campos Neto.
Apesar da iminente saída do ministério, Fernando Haddad despistou sobre candidaturas nas eleições de outubro, embora seu nome seja ventilado para o Senado ou para o Governo de São Paulo. Ele justificou sua saída por “questões pessoais” após uma década à frente de ministérios, expressando o desejo de dedicar tempo para discutir projetos para o país. “Eu disse em todas as ocasiões que não pretendia me candidatar em 2026. Isso vale para qualquer cargo”, pontuou o ministro, reforçando que a decisão final será tomada em consenso com o presidente Lula após novas conversas políticas.
