O ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi, defendeu publicamente o fortalecimento da cooperação diplomática e comercial com a América Latina e o Caribe. Em um cenário marcado pelo que chamou de “era de incertezas e transformações”, o chanceler destacou a importância de alinhar os laços econômicos com a defesa do Estado de Direito, citando instabilidades globais, como a invasão russa na Ucrânia e tensões no Irã, que impactam o equilíbrio da ordem internacional.
Segundo Motegi, a trajetória histórica dos países latino-americanos e caribenhos na busca por autonomia, democracia e sociedades mais inclusivas está em sintonia com os princípios da diplomacia japonesa. O governo japonês pretende avançar em novas parcerias econômicas, incluindo a consolidação de um acordo comercial com o Mercosul. O movimento ocorre em um momento de busca por novas alternativas frente às restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos e limitações na exportação de insumos estratégicos, como terras raras, por parte da China.
A cooperação entre as partes ganhou fôlego em dezembro de 2025, com a formalização de um Marco de Parceria Estratégica voltado para comércio, investimentos e transição energética. Em junho deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, oficializaram avanços nas negociações. Atualmente, o Japão figura entre os dez principais parceiros comerciais do bloco, registrando uma corrente de comércio de US$ 13,7 bilhões em 2025.
O impacto potencial desse estreitamento é expressivo para a economia global. Caso o acordo de parceria econômica seja concretizado, será estabelecida uma zona de livre comércio que abrange um mercado de 400 milhões de pessoas e um PIB combinado de US$ 7 trilhões. O Japão, que hoje ocupa a posição de quarta maior economia do mundo, aposta nessa integração para diversificar suas relações comerciais e fortalecer as cadeias de suprimentos em setores fundamentais.
Crédito da ilustrativa: Brazil Economy
