O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta sexta-feira (16/1), de uma cerimônia na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro, em celebração aos 90 anos da criação do salário mínimo no Brasil. Durante o evento, que contou com o lançamento de medalhas comemorativas, o chefe do Executivo destacou a importância histórica da política de valorização do piso nacional, instituída originalmente para garantir direitos fundamentais aos trabalhadores brasileiros. A solenidade relembrou a trajetória da legislação desde sua concepção na década de 1930.
Impacto Econômico e Reajuste
Em seu discurso, o presidente declarou que o valor atual do salário mínimo ainda é “muito baixo” e não atende plenamente aos requisitos previstos na legislação original. Lula ressaltou que é papel do governo e da sociedade buscar melhorias constantes no poder de compra da população. “A gente morar, a gente comer, a gente estudar, a gente ter o direito de ir e vir”, afirmou o presidente ao referenciar os objetivos da criação do piso por Getúlio Vargas, o criador da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Em termos econômicos, o reajuste do salário mínimo para 2026 fixou o valor em R$ 1.621, representando um aumento de 6,79% em comparação ao ano anterior, quando o piso era de R$ 1.518. De acordo com dados do governo federal, essa atualização deve injetar aproximadamente R$ 82 bilhões na economia brasileira ao longo do ano. O impacto social é abrangente, beneficiando diretamente cerca de 62,3 milhões de pessoas, incluindo 29,4 milhões de aposentados e pensionistas com benefícios vinculados ao valor vigente.
A trajetória histórica do benefício remonta à Lei nº 185 de 1936, sendo consolidada posteriormente no governo de Getúlio Vargas como uma resposta às condições laborais precárias da época, marcadas por jornadas extensas. O evento no Rio de Janeiro serviu para enaltecer essa conquista social que busca estabelecer um patamar básico de sobrevivência. O titular do Planalto também aproveitou a ocasião para pontuar críticas a setores que se opõem aos aumentos do montante, reforçando a obrigação de lutar por sua melhoria.
Além da pauta trabalhista, o presidente defendeu enfaticamente a soberania nacional por meio da produção própria da moeda brasileira na Casa da Moeda. “Um dinheiro de um país não pode ser feito em outro país”, ressaltou o mandatário ao destacar que o uso de insumos e mão de obra nacional na fabricação do papel-moeda é um símbolo de autonomia. A cerimônia reafirmou a visão do governo sobre a integração entre políticas de renda e o fortalecimento das instituições nacionais responsáveis pela produção monetária.
