MP-PR conclui que houve omissão de socorro no Pico Paraná e pede indenização para trilheiro e bombeiros

omissão de socorro no Pico Paraná

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) concluiu que houve omissão de socorro no Pico Paraná no caso envolvendo o jovem Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, que desapareceu durante uma trilha. Divergindo do inquérito da Polícia Civil, que sugeria o arquivamento do caso, os promotores apresentaram um parecer indicando que a acompanhante, Thayane Smith, cometeu crime ao abandonar o amigo durante o percurso. A decisão, divulgada nesta quinta-feira (15), solicita que a jovem pague uma indenização e cumpra medidas restritivas.

Entenda o caso do desaparecimento

O incidente ocorreu na manhã de 1º de janeiro de 2026, quando os dois subiram a montanha para observar o nascer do sol. Durante a descida, Roberto apresentou sinais nítidos de debilidade física, incluindo vômitos e dificuldade de locomoção. Segundo as investigações, mesmo ciente do estado de saúde do amigo e das condições climáticas adversas, como chuva e neblina, a jovem teria acelerado o passo e o abandonado no trajeto, agindo por interesse em seu próprio bem-estar físico, conforme apontado pelo MP.

Para o Ministério Público, a conduta foi intencional, pois a investigada ignorou alertas de outros montanhistas sobre os riscos da situação. O órgão destacou que “a conduta da investigada reveste-se de dolo, uma vez que tinha plena consciência da debilidade física da vítima” e que ela optou por deixá-lo à própria sorte em um ambiente de alta periculosidade. O entendimento ministerial reforça que não houve intenção real de colaborar com as buscas iniciais após o desaparecimento do trilheiro.

Após ser deixado para trás, o jovem permaneceu desaparecido por cinco dias em uma região de difícil acesso. Para sobreviver, Roberto relatou ter bebido água de cachoeiras e caminhado mais de 20 quilômetros até alcançar uma fazenda em Antonina, no litoral paranaense. Ele foi finalmente resgatado por equipes do Corpo de Bombeiros e encaminhado a uma unidade hospitalar, onde recebeu tratamento médico e pôde se recuperar da exaustão após o período de isolamento na mata.

Como reparação, o MP-PR propôs ao Tribunal de Justiça o pagamento de uma prestação pecuniária no valor de R$ 8.105,00, destinada ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul. Além do valor financeiro, a recomendação inclui três meses de prestação de serviços à comunidade, com carga horária de cinco horas semanais junto à corporação. A medida visa compensar o esforço logístico que mobilizou bombeiros, agentes civis e voluntários durante os dias de operação para localizar a vítima.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *