Mudanças climáticas são o principal motor do branqueamento global de corais

branqueamento de corais

Eventos globais de branqueamento de corais seriam praticamente impossíveis sem a influência direta das mudanças climáticas causadas pelas emissões de gases de efeito estufa. Um estudo recente, conduzido por pesquisadores do grupo Climate Central e publicado na revista Oceanography, aponta que o fenômeno, que ocorreu quatro vezes nas últimas três décadas, tem sua origem na atividade humana, desvinculando a responsabilidade exclusiva do El Niño.

A pesquisa utilizou modelos de atribuição climática para comparar o cenário atual, com um aquecimento global de 1,35°C, a uma simulação de um planeta sem as emissões industriais. Os resultados indicam que, em um mundo sem mudanças climáticas, o branqueamento em massa em escala global não ocorreria. O fenômeno, que também tem sido associado a eventos climáticos extremos como as enchentes no Rio Grande do Sul, teve sua influência analisada através de dados da agência norte-americana Noaa.

“Nosso estudo mostra que, sem as mudanças climáticas, o branqueamento de corais seria um evento raro e isolado, e o branqueamento em massa em escala global simplesmente não ocorreria”, afirma Andrew Pershing, diretor no Climate Central e autor principal do trabalho. O estudo destaca que, embora o El Niño contribua com o aquecimento sazonal das águas, ele não possui, isoladamente, a intensidade necessária para provocar o branqueamento generalizado observado recentemente.

Atualmente, a situação é crítica para a biodiversidade marinha. Em 2023, a Noaa atualizou sua escala de risco, que agora atinge o nível 5, indicando a possibilidade de mortalidade quase completa dos recifes. O processo de branqueamento ocorre quando águas excessivamente quentes levam os corais a expulsar as microalgas (zooxantelas) que vivem em seus tecidos, deixando-os fragilizados e suscetíveis a doenças.

O impacto vai além do ecossistema marinho, afetando diretamente comunidades que dependem dos recifes para alimentação e proteção costeira. Segundo os pesquisadores, a pressão sobre essas estruturas continuará a crescer enquanto a poluição por carbono não for contida. A preservação de bolsões de recifes saudáveis por meio de ações locais, como o controle da pesca predatória, permanece como uma medida paliativa importante, mas não definitiva diante da crise climática em curso.

Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: Mega Curioso

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