Parlamentares dos EUA pedem que governo Trump não classifique PCC e Comando Vermelho como terroristas

organizações terroristas estrangeiras

Um grupo de sete parlamentares dos Estados Unidos, liderado pelo deputado democrata Jim McGovern, enviou uma carta formal ao secretário de Estado, Marco Rubio, manifestando oposição à possível designação das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Os congressistas argumentam que tal medida seria “contraproducente” e traria riscos significativos às relações diplomáticas entre as duas nações. Embora reconheçam que esses grupos criminosos ameaçam a segurança regional, a democracia e o meio ambiente, os autores do documento defendem que a classificação não se enquadra nos critérios jurídicos exigidos pela legislação norte-americana para o terrorismo.

A expansão dessas facções para países como Colômbia, Peru e Bolívia, além de sua ligação direta com crimes ambientais na Amazônia e violência contra comunidades locais, é um fato reconhecido no documento. No entanto, os parlamentares alertam que o governo de Donald Trump pode estar ampliando indevidamente o uso do rótulo de Organização Terrorista Estrangeira (FTO, na sigla em inglês). Segundo o texto, essa estratégia pode enfraquecer as iniciativas de combate ao crime organizado no continente ao desviar o foco de mecanismos de cooperação policial e financeira já estabelecidos internacionalmente.

A manifestação ocorre em um momento de intensa atividade diplomática, com representantes do governo brasileiro em visita aos Estados Unidos para tentar evitar a designação. A gestão atual do Brasil avalia que o rótulo de terrorismo poderia abrir brechas legais para intervenções externas em território nacional. Há também uma preocupação interna de que o tema seja explorado politicamente durante períodos eleitorais, o que motiva o esforço brasileiro em manter o tratamento do PCC e do CV estritamente dentro da esfera do combate ao crime organizado transnacional.

O uso político de sanções e classificações internacionais é um dos pontos centrais de preocupação destacados pelos congressistas americanos. Eles citam o episódio anterior envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que chegou a ser alvo de sanções após decisões judiciais no Brasil. “Embora as sanções contra Moraes tenham sido retiradas após mediação diplomática, continuamos preocupados com a postura deste governo em relação ao Brasil, onde eleições nacionais serão realizadas em seis meses”, afirma o documento assinado pelos parlamentares.

Em vez da classificação como terroristas, os deputados sugerem que o enfrentamento ao crime ocorra por meio de uma colaboração mais estreita entre órgãos como a Interpol e o fortalecimento do controle de fronteiras. A carta propõe que os Estados Unidos reforcem medidas internas para conter o tráfico de armas para a América Latina e ampliem investimentos em tratamento de dependência química. Os congressistas solicitam que o Departamento de Estado apresente evidências concretas antes de qualquer decisão oficial, enfatizando que “essa preocupação é ampliada pela longa e preocupante história de intervenção dos Estados Unidos no Brasil”.

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