O pré-candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, relatou ter recebido ameaças de morte atribuídas à facção criminosa Comando Vermelho (CV) durante agendas políticas no Ceará. Segundo o político, as intimidações tiveram início após sua equipe realizar questionamentos sobre a influência do crime organizado na política local de municípios do interior cearense. Santos destacou que os integrantes do grupo agem de forma inconsequente por acreditarem que “não têm nada a perder”.
Contexto das ameaças em Santa Quitéria
As tensões se intensificaram no município de Santa Quitéria, local que recentemente passou por uma eleição suplementar. O pleito ocorreu após a prisão do prefeito reeleito, José Braga Barroso, investigado por supostas ligações com o crime organizado. Renan Santos afirmou que sua equipe visitou cidades onde o Ministério Público identificou interferência de facções nas disputas eleitorais e na administração pública, resultando em mudanças diretas na gestão municipal.
O caso foi formalizado junto à Polícia Civil do Ceará no dia 31 de janeiro por meio de um boletim de ocorrência registrado pelo assessor Pedro Arthur de Souza Lima. O documento relata que, desde o dia 26 de janeiro de 2026, a comitiva — que incluía também o integrante Arthur do Val — passou a ser alvo de ataques digitais. As mensagens agressivas surgiram logo após a realização de uma denúncia pública feita pela equipe sobre a atuação da facção na região visitada.
De acordo com os relatos do pré-candidato, existe uma diferença qualitativa entre as abordagens do crime organizado em diferentes estados. Renan Santos explicou que, enquanto os ataques vindos do Rio de Janeiro costumam ser genéricos, no Ceará as ameaças são mais diretas e agressivas devido à estrutura local. “A gente já recebeu ataques genéricos, do CV do Rio de Janeiro. Mas no Ceará é uma coisa peculiar. Por serem mais desorganizados, eles são mais agressivos nas ameaças”, detalhou o político.
As ameaças foram enviadas principalmente por meio de redes sociais durante transmissões ao vivo realizadas pela equipe de Renan Santos. Em uma das mensagens interceptadas, um suposto membro do grupo criminoso afirmou que “o fim de vocês será triste” e ordenou que o grupo deixasse o estado imediatamente. O texto era assinado com a sigla “TD2” (Tudo 2), termo recorrentemente utilizado pela facção para simbolizar o controle territorial de determinadas áreas.
