São Paulo registrou 1.143 km de congestionamento às 9h desta terça-feira (4), segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). O volume foi registrado no mesmo dia em que o rodízio de veículos foi suspenso por causa da greve nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM. Na primeira terça-feira de junho (2), a lentidão no mesmo horário havia alcançado 501 km.
A zona sul concentrou o maior volume de congestionamento em São Paulo, com 348 km de filas. Em seguida apareceram a zona leste, com 323 km; a zona norte, com 226 km; a zona oeste, com 199 km; e a região central, com 47 km. As três linhas afetadas são importantes ligações entre o centro e a zona leste, área mais populosa da capital.
A paralisação dos ferroviários começou na madrugada. Às 5h47, as linhas 11-Coral e 12-Safira operavam parcialmente, enquanto a 13-Jade estava totalmente parada no início da manhã. Os passageiros relataram superlotação, atrasos e falta de informações. A linha 11-Coral funcionava entre Barra Funda e Guaianases, e a 12-Safira, entre Brás e Engenheiro Goulart. O Expresso Aeroporto também não operava, mas as demais linhas de trens e do metrô seguiam normalmente. A greve nas linhas da CPTM foi decidida em assembleia na segunda-feira (3).
A CPTM acionou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese) e mobilizou 128 ônibus para atender os passageiros. A demanda, porém, ficou acima da capacidade, provocando longas filas e lotação nos coletivos. O governo de São Paulo adotou um plano de contingência, enquanto o metrô antecipou o início da operação para as 4h e reforçou o atendimento na Linha 3-Vermelha.
A greve por tempo indeterminado foi aprovada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil (STEFZCB). A categoria protesta contra a concessão das linhas e contra falhas atribuídas à Trivia Trens, que assumiu trechos antes operados pela CPTM. Em nota conjunta, a companhia e o governo estadual afirmaram que lamentaram a decisão, “mesmo após a apresentação de compromissos concretos e da disposição expressa da gestão estadual para avançar nas negociações”.
Segundo a CPTM e o governo estadual, foram reiterados compromissos com a preservação dos postos de trabalho e com a análise de propostas de interesse dos funcionários. Entre elas estão a absorção dos empregados por outros órgãos públicos estaduais, a discussão sobre a incorporação da Estrada de Ferro Campos do Jordão pela CPTM e a inclusão dos trabalhadores no Iamspe. O Tribunal Regional do Trabalho determinou a operação de 80% do efetivo nos horários de pico e de 60% nos demais períodos, sob pena de multa diária de R$ 400 mil.
Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: Exame
