O hantavírus, uma família de vírus transmitida principalmente por roedores, voltou ao centro das atenções após um surto em um navio de cruzeiro resultar em três mortes. A doença, que pode apresentar taxas de mortalidade entre 20% e 40% em suas cepas mais agressivas, manifesta sintomas iniciais semelhantes aos da Covid-19, como dores no corpo, fadiga e dor de cabeça crônica. Casos recentes envolvendo passageiros do navio MV Hondius, que partiu da Argentina para uma viagem pelo Atlântico, mobilizaram autoridades de saúde na Europa e no Reino Unido, onde contatos próximos permanecem em isolamento preventivo.
Transmissão e relatos de sobreviventes
Para Lorne Warburton, um canadense que sobreviveu à infecção, a experiência foi descrita como um “inferno na terra”. Ele acredita ter contraído o patógeno ao manusear um tapete no sótão de casa, expondo-se a partículas de fezes de camundongo suspensas no ar. A transmissão ocorre normalmente pela inalação de resíduos de urina ou fezes de roedores contaminados, ou por meio de mordidas de animais infectados. Durante o tratamento, Warburton precisou de suporte à vida e enfrentou uma recuperação lenta que durou cerca de um ano e meio, resultando em sequelas como a fibrilação atrial.
Na Alemanha, Christian Ege enfrentou um quadro de insuficiência renal e sepse após ser infectado em 2019. Ele relatou que a enfermidade começou com tontura e vômitos, evoluindo rapidamente para a necessidade de diálise em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundo Ege, “a coincidência de uma escalada bacteriana e viral ao mesmo tempo foi, sem dúvida, algo bastante preocupante”. Diferente de outras infecções virais, não existe uma vacina amplamente disponível ou tratamento antiviral específico para o hantavírus, exigindo que as equipes médicas foquem no suporte respiratório e no controle rigoroso dos sintomas em ambiente hospitalar.
Atualmente, o navio MV Hondius segue em direção às Ilhas Canárias após permanecer ancorado próximo a Cabo Verde. Entre os afetados pelo surto recente está o ex-policial britânico Martin Anstee, cuja esposa, Nicola, descreveu os últimos dias como marcados por momentos de “altos e baixos”. A Organização Mundial da Saúde (OMS) cataloga mais de 20 espécies de hantavírus, reforçando que a prevenção depende do controle de roedores e do cuidado ao limpar locais fechados onde esses animais possam ter circulado. Sobreviventes como Lorne e Christian destacam que a recuperação total demanda tempo e paciência, uma vez que o corpo precisa se reconstruir gradualmente após o impacto severo nos órgãos internos.
