A Polícia Civil de São Paulo investiga um caso grave de intoxicação por cloro em academia que resultou na morte da professora Juliana Bassetto e deixou outras seis pessoas feridas. O incidente ocorreu na unidade C4 Gym, no Parque São Lucas, onde o manuseio inadequado de produtos químicos na piscina gerou uma reação tóxica. Durante as investigações, o delegado titular Alexandre Bento apontou que a carga de cloro utilizada em apenas um dia correspondia ao volume recomendado para uma semana inteira, uma prática adotada para evitar o fechamento do local para manutenção e garantir o funcionamento ininterrupto.
Confronto de versões entre sócios e funcionários
Em depoimento, Celso Bertolo Cruz, um dos sócios do estabelecimento, atribuiu a responsabilidade do ocorrido ao manobrista Severino José da Silva. Celso, que possui certificação para manutenção de piscinas desde 2023, afirmou ter “absoluta certeza que Severino errou ao manusear cloro em pó nas proximidades da piscina”. No entanto, as imagens de segurança mostram o funcionário manipulando um balde com o produto químico perto dos alunos, enquanto o sócio alegou que o colaborador atuava sob sua supervisão técnica.
Por outro lado, o funcionário Severino relatou às autoridades que não possuía conhecimento técnico para a função e apenas seguia as orientações diretas de Celso. Segundo a autoridade policial, o manobrista “foi manipulado” pela administração da academia e não deve responder criminalmente pelas intoxicações. A investigação sugere que os proprietários visavam o lucro máximo e utilizavam o excesso de cloro para maquiar a qualidade da água, ignorando os riscos para alunos e funcionários.
Relatos de testemunhas, como o do advogado Eduardo Esteves Rossini, reforçam a gravidade da situação presenciada no local. Ele descreveu que a mistura de cloro foi deixada em um balde ao lado da piscina, afetando severamente quem estava mais próximo da borda. Rossini, que também precisou de atendimento médico por complicações respiratórias, afirmou que as vítimas mais graves “inalaram mais” o produto concentrado. Câmeras de segurança registraram o momento em que os alunos apresentaram dificuldades motoras e de respiração antes de serem socorridos.
Diante das evidências coletadas, três sócios da C4 Gym — Celso Bertolo Cruz, Cesar Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração — foram indiciados por homicídio doloso. A Polícia Civil solicitou a prisão temporária dos suspeitos e aguarda uma decisão do Judiciário. Em nota oficial, a direção da academia declarou que lamenta profundamente o episódio e que está colaborando integralmente com as autoridades competentes para a conclusão do inquérito.
