O governo dos Estados Unidos intensificou as discussões sobre possíveis respostas às ações do regime iraniano, após o presidente Donald Trump ser informado sobre uma série de dispositivos militares e operações secretas. Segundo relatos de funcionários do Departamento de Defesa à CBS News, as alternativas apresentadas ao Salão Oval incluem desde ataques com mísseis de longo alcance até campanhas psicológicas e ofensivas cibernéticas. O cenário de tensão é agravado pela repressão interna no Irã, onde entidades de direitos humanos estimam que centenas de manifestantes foram mortos em meio a protestos contra o governo local.
Novas sanções econômicas
No campo econômico, Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos de nações que mantêm relações comerciais com Teerã, uma medida que visa isolar ainda mais o país. O impacto dessa decisão pode ser significativo para parceiros comerciais como a China, Iraque e Emirados Árabes Unidos, além de aprofundar a crise financeira interna do Irã, que já enfrenta uma inflação galopante e o colapso de sua moeda. De acordo com o presidente, por meio de sua plataforma Truth Social, “essa ordem é final e definitiva”, sinalizando uma postura rígida contra quem mantém vínculos com o regime.
Apesar das sanções, o governo iraniano demonstra uma postura ambivalente entre a diplomacia e a prontidão para o combate. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que o país está aberto ao diálogo, mas ressaltou que permanece “preparado para a guerra”. Paralelamente, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, revelou que as mensagens recebidas de forma reservada por integrantes do regime diferem do discurso público agressivo, embora tenha reiterado que o presidente americano “não tem receio de recorrer a opções militares, se e quando considerar necessário”.
Internamente, o Irã vive uma crise de legitimidade que atinge o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, motivada pela má gestão econômica e pela desvalorização cambial. Enquanto o governo organiza manifestações pró-regime e utiliza a mídia estatal para convocar apoiadores, a organização Iran Human Rights aponta que o número de vítimas nos protestos oposicionistas já chega a 648, incluindo menores de idade. Diante do risco de escalada nas tensões entre EUA e Irã, os Estados Unidos orientaram seus cidadãos a deixarem o território iraniano imediatamente, alertando para a dificuldade de assistência consular.
A complexidade da situação é reforçada pelo pedido de intervenção feito por Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, que instou Trump a agir rapidamente para evitar mais mortes de civis. Em contrapartida, um bloqueio severo de internet imposto pelas autoridades iranianas tem dificultado a verificação independente de informações por agências internacionais como a BBC. Uma reunião da equipe de segurança nacional está prevista para ocorrer na Casa Branca para definir os próximos passos da estratégia americana em relação ao Oriente Médio.
