Países da União Europeia aprovaram nesta sexta-feira (9), em Bruxelas, o acordo de livre comércio com o Mercosul, que as autoridades descrevem como o maior do gênero no mundo e que reunirá um mercado estimado de 722 milhões de consumidores. O aval dos embaixadores dá sinal verde para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, proceda à assinatura do tratado na próxima semana, no Paraguai, mas os votos ainda precisam ser confirmados pelos governos dos 27 Estados-membros.
O texto prevê a eliminação de tarifas de importação sobre 91% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos. Estimativas europeias indicam que as exportações da UE para o Mercosul poderão aumentar até 39% e garantir 440.000 postos de trabalho no continente. As negociações do acordo começaram em 1999 e ganharam impulso no fim de 2024, com especial empenho do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e de países europeus com forte pauta exportadora.
O acordo também ganhou peso em um contexto geopolítico marcado por medidas comerciais de terceiros países. Em 2024, o volume de transações entre os blocos chegou a € 111 bilhões; as exportações da UE concentram-se em máquinas, produtos químicos e equipamentos de transporte, enquanto as do Mercosul são dominadas por produtos agrícolas, minerais, celulose e papel.
A aprovação em Bruxelas ocorreu apesar da oposição liderada pela França, onde protestos de agricultores com tratores em Paris aumentaram a pressão política sobre o primeiro-ministro Sébastian Lecornu. Em negociações internas, a Itália conseguiu concessões da Comissão Europeia — entre elas a antecipação de € 45 bilhões em subsídios e a flexibilização da nova taxa de carbono sobre fertilizantes importados — e sem o apoio italiano a França não conseguiu formar a minoria de bloqueio exigida pelo Conselho da UE, que requer ao menos quatro países e 35% da população do bloco.
Os próximos passos incluem a confirmação formal dos votos pelos governos nacionais e a ratificação final do texto pelo Parlamento Europeu, prevista por estimativas até abril; um grupo de eurodeputados busca ainda levar o tratado ao Tribunal de Justiça da UE, o que poderia atrasar o processo por anos. Informações e números citados constam em comunicados oficiais da Comissão Europeia e em relatos sobre as negociações.
