O câncer colorretal tornou-se a principal causa de morte relacionada a neoplasias entre pessoas com menos de 50 anos. Embora o rastreamento de rotina seja recomendado a partir dos 45 anos para adultos com risco médio, os sinais de alerta podem surgir precocemente. Para auxiliar na identificação desses sintomas, o American College of Surgeons (ACS) lançou recursos educativos gratuitos e uma lista de verificação para orientar pacientes antes de consultas médicas.
A Dra. Marylise Boutros, cirurgiã colorretal e membro do comitê do ACS, destaca que sintomas intestinais em pacientes jovens são frequentemente atribuídos a hemorroidas ou constipação, recebendo tratamentos conservadores. “À medida que mais jovens são diagnosticados com câncer colorretal, a conscientização sobre os sinais sutis e sintomas da doença pode salvar vidas”, afirma a especialista. Atualmente, cerca de 1 em cada 5 casos da doença ocorre em indivíduos com menos de 54 anos, um aumento significativo em relação aos 11% registrados há três décadas.
Os sintomas iniciais podem ser vagos, mas qualquer alteração persistente ou incomum nos hábitos intestinais merece atenção. A lista do ACS aponta que constipação, diarreia, fezes anormalmente estreitas ou a sensação de esvaziamento incompleto do intestino são sinais de alerta. Além disso, a presença de sangue nas fezes é um indicador crítico. Pesquisas apresentadas no ACS Clinical Congress 2025 indicam que o sangramento retal aumenta em 8,5 vezes a probabilidade de um diagnóstico de câncer colorretal em pacientes com menos de 50 anos.
Sintomas sistêmicos, como perda de peso inexplicada, fadiga persistente, fraqueza, náuseas ou vômitos, também podem indicar problemas subjacentes. A Dra. Paula Denoya ressalta que, embora tais sintomas possam decorrer de condições não cancerígenas, qualquer mudança nova na função intestinal deve ser avaliada por um profissional de saúde. A colonoscopia permanece como o padrão-ouro para o diagnóstico, permitindo a identificação da doença e a remoção de pólipos pré-cancerosos durante o mesmo procedimento.
A detecção precoce é fundamental, pois o câncer colorretal é altamente tratável em seus estágios iniciais. Indivíduos com histórico familiar ou condições inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn ou a colite ulcerativa, podem necessitar de monitoramento mais cedo. Manter uma comunicação aberta com o médico durante as consultas anuais de bem-estar é a estratégia recomendada para garantir que preocupações sobre a saúde gastrointestinal sejam devidamente investigadas.
Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: Clínica AMO
