Crise na saúde pública da Argélia: mortes de médicos reacendem debate sobre condições de trabalho

saúde pública na Argélia

A morte recente de dois médicos residentes na Argélia trouxe à tona discussões críticas sobre as condições enfrentadas nos hospitais públicos do país. O falecimento de um neurocirurgião no Hospital Frantz Fanon, em Blida, após um plantão de 24 horas, e de uma anestesiologista no Hospital Universitário Mohamed Lamine Debaghine, em Argel, gerou uma onda de indignação entre profissionais da área. Colegas apontam que esses casos não são isolados, mas sim reflexos de uma rotina marcada por sobrecarga, falta de pessoal e infraestrutura precária, problemas que persistem desde as mobilizações da categoria em 2018.

O Sindicato Nacional dos Médicos de Saúde Pública tem se manifestado de forma contundente, exigindo uma revisão profunda no sistema de plantões. Segundo relatos da classe médica, é comum que profissionais realizem até 10 turnos de prontidão por mês em departamentos com déficit de funcionários, recebendo remuneração equivalente a apenas seis. Além disso, a saúde é afetada pela obsolescência de equipamentos médicos, como aparelhos de ressonância magnética e raio-X, que frequentemente aguardam meses por reparos devido a entraves burocráticos na aquisição de peças.

A resposta do governo às manifestações tem sido rigorosa. Em 2025, o líder associativo Charaf Eddine Talhaoui foi condenado e cumpriu pena após participar de movimentos grevistas. Enquanto autoridades defendem a qualidade do sistema nacional, dados da Organização Mundial da Saúde indicam que, apesar de a Argélia possuir uma das maiores proporções de médicos por habitante na África (17 por 10.000), o país enfrenta uma evasão significativa de talentos. A França tornou-se o principal destino desses profissionais, que buscam melhores condições de trabalho e remuneração, deixando um vácuo no atendimento especializado das províncias do interior argelino.

Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: ANBA

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