A China emitiu uma ordem oficial nesta segunda-feira (27) exigindo que a Meta desfaça a aquisição da Manus pela Meta, uma startup de inteligência artificial avaliada em mais de US$ 2 bilhões. A decisão partiu da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, que intensificou o escrutínio sobre investimentos norte-americanos em empresas de tecnologia de ponta sediadas no país. O movimento regulatório visa proteger a propriedade intelectual e evitar a fuga de talentos do setor de IA para companhias estrangeiras.
Tensões tecnológicas entre potências
O bloqueio ocorre em um período de disputa intensa entre Pequim e Washington pelo domínio tecnológico. Enquanto os Estados Unidos restringem o acesso chinês a chips avançados, o governo chinês utiliza seus órgãos de segurança para monitorar transações internacionais. O gabinete responsável pela análise de investimentos estrangeiros afirmou que irá “proibir o investimento estrangeiro na Manus, em conformidade com as leis e regulamentos, e exigirá que as partes envolvidas revertam a transação de aquisição”. A medida foi anunciada poucas semanas antes de um encontro planejado entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping.
Manobras corporativas e restrições
A Manus, que recebeu um aporte de US$ 75 milhões liderado pela Benchmark em maio de 2025, tentou reestruturar suas operações para evitar as amarras regulatórias. A empresa fechou seus escritórios na China e transferiu suas atividades para Cingapura por meio de uma holding chamada Butterfly Effect. Essa estratégia buscava contornar as restrições chinesas à transferência de capital e tecnologia para o exterior, além de evitar sanções norte-americanas aplicadas a empresas de IA com raízes na China.
Executivos sob custódia administrativa
Apesar da transferência operacional, os fundadores da startup enfrentam dificuldades legais severas. O CEO Xiao Hong e o cientista-chefe Ji Yichao foram convocados para reuniões com reguladores em Pequim no mês de março e, desde então, estão proibidos de deixar o país. Segundo informações apuradas pela Reuters, a equipe técnica da Manus já está integrada aos escritórios da Meta em Cingapura, onde os projetos de desenvolvimento continuam em andamento, apesar do impasse com o governo chinês.
O caso da Manus representa uma das raras ocasiões em que a China exige o cancelamento retroativo de uma operação corporativa já concluída. O Ministério do Comércio chinês havia iniciado as investigações em janeiro de 2026, apenas alguns dias após a Meta ter finalizado a compra em dezembro de 2025. O desfecho da investigação estabelece um precedente importante para futuras aquisições de empresas de tecnologia que operam entre as duas maiores economias do mundo.
