O mercado de capitais brasileiro apresentou um movimento contraditório durante o primeiro semestre de 2026. Enquanto o volume total de captações atingiu um recorde histórico de R$ 361,8 bilhões — um crescimento de 9,8% em comparação ao mesmo período de 2025 —, as debêntures registraram seu menor volume de emissões desde 2023. O montante captado por meio desses títulos de renda fixa somou R$ 169,8 bilhões entre janeiro e junho, representando uma queda de 12,1% em relação ao ano anterior.
Apesar da retração no volume financeiro total, o número absoluto de operações cresceu, passando de 268 para 278 emissões no período. Dentro desse cenário, as debêntures incentivadas mantiveram relevância, respondendo por 38,3% do total, com uma concentração expressiva de 52,9% no setor de energia elétrica. Paralelamente, o mercado secundário mostrou aquecimento, com um aumento de 20,6% nas negociações, totalizando R$ 494,6 bilhões.
Enquanto as debêntures perderam espaço, outros ativos ganharam força. Os títulos híbridos, como os FIIs e Fiagros, alcançaram recordes de captação, impulsionados por um salto no investimento realizado por pessoas físicas e fundos. Além disso, a renda variável demonstrou sinais de recuperação, com a realização do primeiro IPO após um longo período de paralisação no mercado, além de um volume em follow-ons que dobrou em comparação ao primeiro semestre de 2025.