O governo do Irã, em articulação com Omã, tem avançado com propostas para implementar a cobrança de taxas sobre navios que transitam pelo Estreito de Hormuz. A iniciativa, que enfrenta resistência por parte de Washington, representa uma mudança no panorama estratégico da região após o encerramento do conflito iniciado em fevereiro. Antes da guerra, a rota marítima operava de forma gratuita para o escoamento de petróleo e gás global, situação que foi alterada pelo controle efetivo exercido pelo regime iraniano sobre o ponto estratégico durante os meses de combate.
A proposta formal entregue por Omã aos aliados ocidentais sugere a criação de taxas de serviço para a navegação, utilizando como referência modelos aplicados nos estreitos de Malaca e Singapura. Enquanto diplomatas regionais indicam que tais contribuições seriam voluntárias para assegurar o fluxo de comércio, autoridades iranianas, como o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, sustentam que os pagamentos devem ser obrigatórios. O governo do Irã reforçou que, caso não haja um acordo conjunto com Omã, o país está disposto a gerir a via marítima de forma autônoma.
A posição dos Estados Unidos permanece de oposição à monetização da rota. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou publicamente que a Casa Branca não aceitará a implementação de taxas, pedágios ou doações, defendendo o retorno ao status de livre navegação anterior ao conflito. Embora um acordo-quadro de paz recente tenha garantido a passagem segura de embarcações por um período de 60 dias, as negociações sobre o futuro definitivo do estreito continuam sendo um ponto central de tensão diplomática entre Teerã e Washington.
Analistas do setor apontam que a capacidade de controlar o tráfego no Estreito de Hormuz tornou-se um instrumento de pressão econômica relevante para o Irã. Apesar das preocupações europeias sobre o cumprimento do direito internacional, o governo iraniano reiterou que não pretende retomar o modelo de passagem gratuita. O cenário atual coloca Omã em uma posição de mediador sob pressão, buscando equilibrar a segurança regional e a manutenção do diálogo entre as potências envolvidas no processo de estabilização pós-guerra.
