Mercado clandestino de canetas emagrecedoras cresce no Distrito Federal

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O Distrito Federal enfrenta uma escalada no mercado clandestino de canetas emagrecedoras. Dados da Receita Federal revelam que, entre janeiro e maio de 2026, foram apreendidas 1.636 unidades de medicamentos para emagrecimento, avaliadas em R$ 1,35 milhão. Esse volume representa um aumento de 1.322% em relação a todo o ano de 2025, quando apenas 115 unidades foram recolhidas. A maior parte dessas apreensões ocorre no Aeroporto Internacional de Brasília, sendo a tirzepatida um dos princípios ativos mais encontrados.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforça que a comercialização de produtos sem registro sanitário é proibida no Brasil, uma vez que não há garantias de qualidade ou segurança. Além da Receita, a Vigilância Sanitária do Distrito Federal tem intensificado o combate a essa prática. Entre janeiro de 2025 e julho de 2026, o órgão apreendeu 4.919 unidades de medicamentos em fiscalizações que abrangeram drogarias, clínicas de estética e outros estabelecimentos. Durante o mesmo período, foram lavrados 755 autos de infração e recebidas 555 denúncias sobre vendas irregulares.

Especialistas alertam para os perigos severos à saúde pública. O endocrinologista Diego Bandeira, do Hospital de Base do Distrito Federal, destaca que o maior risco é o paciente desconhecer a procedência e a composição real do produto. “O produto pode conter uma concentração incorreta do princípio ativo, estar contaminado ou sequer conter a substância descrita no rótulo”, afirma o médico. Além de falsificações, a quebra da cadeia de refrigeração é um problema crítico, podendo causar a degradação da molécula e gerar riscos como infecções, pancreatite e reações alérgicas graves.

A estrutura de distribuição desses produtos ilegais, muitas vezes vindos do Paraguai, envolve desde revendedores informais até farmácias de manipulação que atuam em escala industrial. A Anvisa alerta que qualquer medicamento adquirido fora de canais autorizados não possui segurança comprovada. Até junho de 2026, a autarquia contabilizou 3.374 notificações de eventos adversos relacionados ao uso dessas substâncias, reforçando a necessidade de cautela por parte dos consumidores que buscam tratamentos para obesidade e diabetes.

Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: FGMED

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