Mudanças climáticas ameaçam os centenários Terraços de Arroz das Filipinas

Terraços de Arroz das Filipinas

Os icônicos terraços de arroz de Batad, nas Filipinas, enfrentam um desafio crescente diante da instabilidade climática. Reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO, o local, que abriga o povo Ifugao, tem sofrido com deslizamentos de terra frequentes, intensificados por eventos meteorológicos extremos. Em novembro passado, o supertufão Fung-wong causou destruição significativa, resultando na morte de dois moradores, na destruição de um canal de irrigação histórico e em danos a 2,2 hectares de plantações, prejudicando diretamente 150 agricultores locais.

O impacto ambiental é agravado por fenômenos como o Super El Niño, que eleva as temperaturas globais e altera drasticamente os padrões de chuva. Especialistas apontam que a combinação de secas prolongadas, que criam rachaduras no solo, com chuvas intensas e repentinas, tem fragilizado a estrutura secular dos terraços. De acordo com Marlon Martin, líder do grupo de preservação SITMO, a situação é crítica: “Quando ocorrem rajadas repentinas de chuva, a água se infiltra nas rachaduras de forma muito abrupta, resultando em erosão” e no colapso do terreno.

A resposta a essa crise exige investimentos consideráveis. Steve Baccay, do Gabinete Provincial de Agricultura e Ambiente de Ifugao, estima que sejam necessários cerca de 500 mil dólares para as obras de restauração em Batad. Embora a comunidade realize trabalhos voluntários de reparo, conhecidos localmente como bachang, e conte com auxílio emergencial de departamentos estaduais, a ajuda governamental em larga escala permanece incerta para o próximo ciclo fiscal. O cenário reflete uma tendência global, na qual 80% dos locais protegidos pela UNESCO enfrentam estresse induzido pelo clima, conforme aponta um estudo publicado na revista Nature.

Apesar da incerteza, o povo Ifugao mantém vivas as suas tradições ancestrais. Durante os rituais pré-colheita, como o Tanig, a comunidade reafirma seu compromisso com a terra através de cerimônias conduzidas pelo Mumbaki, o sacerdote indígena local. Para figuras como o chefe da aldeia, Romeo Heppog, os terraços representam mais do que uma fonte de subsistência; são o cerne da identidade cultural de seu povo. A preservação deste legado, no entanto, depende agora de uma combinação entre o conhecimento técnico indígena e intervenções governamentais urgentes para garantir a estabilidade física do terreno frente a um futuro climático imprevisível.

Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: Correio Braziliense

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