O Peru iniciou a contagem de votos do segundo turno das eleições presidenciais do Peru, realizadas no último domingo. Mais de 27 milhões de cidadãos estavam aptos a escolher entre a candidata de direita Keiko Fujimori, do partido Força Popular, e o esquerdista Roberto Sánchez, representante do Juntos por el Perú. Com 93% das atas processadas pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais, Fujimori mantém uma vantagem estreita de 50,08% contra 49,92% de Sánchez, cenário que reflete a polarização ideológica enfrentada pelo país.
A definição final do pleito pode levar até meados de julho, conforme anunciado pela Junta Nacional Eleitoral (JNE). O atraso ocorre devido à implementação de um novo processo de recontagem obrigatória em seções eleitorais que apresentem irregularidades, uma medida adotada após questionamentos logísticos ocorridos no primeiro turno. A instabilidade política, agravada pela fragmentação do Congresso e pela constante ameaça de impeachment de presidentes, torna a governabilidade o principal desafio para o futuro mandatário, independentemente do vencedor nas urnas.
Os candidatos apresentam propostas distintas para enfrentar crises como a insegurança e o aumento de homicídios e extorsões, que atingiram cerca de 30 mil casos em 2025. Enquanto Fujimori defende uma política de linha-dura, incluindo a mobilização do exército, Sánchez propõe uma revisão nos contratos de mineração e maior controle estatal sobre os recursos naturais. O mercado financeiro, atento a essas mudanças, tem reagido com cautela, observando a estabilidade macroeconômica prometida pelo candidato de esquerda em seu plano de governo mais recente.
A participação eleitoral, especialmente nas áreas rurais e urbanas, tem sido fundamental para os resultados. Segundo o cientista político Alonso Cárdenas, “Keiko Fujimori não quer abstenção em Lima, seu principal reduto urbano, enquanto Roberto Sánchez não quer abstenção nas áreas rurais e no sul do país, onde é muito popular”. Além disso, a rejeição histórica aos dois nomes influencia o eleitorado, com o anti-fujimorismo relembrando a era de Alberto Fujimori e a oposição a Sánchez associando sua figura à gestão desorganizada de Pedro Castillo, ex-presidente condenado por rebelião e conspiração.
