A presença constante de figuras públicas em propagandas de casas de apostas, as chamadas bets, gerou um cenário de desconfiança entre os consumidores brasileiros. Dados de uma pesquisa inédita realizada pela organização More in Common, em parceria com o instituto Ipsos-Ipec, revelam que 51% da população possui uma visão negativa sobre influenciadores, artistas e atletas que promovem esses serviços.
O levantamento, que ouviu 2 mil pessoas em 130 municípios, aponta que apenas 9% dos entrevistados mantêm uma impressão positiva sobre o tema. Entre aqueles que reprovam a prática, 22% classificam os promotores como “irresponsáveis” ou “manipuladores”, enquanto 40% dos participantes afirmaram que a confiança nos famosos diminui após a veiculação desse tipo de conteúdo publicitário.
Pablo Ortellado, diretor-executivo da More In Common no Brasil, observa que existe um custo reputacional significativo para quem aceita esses contratos. “O influenciador troca um ganho certo hoje por um desgaste de reputação no público que sustenta sua própria capacidade de monetização no futuro”, afirma o pesquisador. O setor, que movimentou bilhões em marketing nos últimos anos, enfrenta críticas sobre a ética dessas parcerias.
Casos extremos de perdas financeiras têm levado cidadãos à Justiça. Recentemente, um cabeleireiro de 43 anos processou influenciadores como Virginia Fonseca, Deolane Bezerra e Carlinhos Maia, atribuindo a eles parte da responsabilidade por seu transtorno de jogo. No entanto, o juiz responsável pelo caso excluiu os influenciadores da ação, entendendo que a atuação deles se limitou à veiculação de conteúdos em redes sociais, sem integrar a essência da relação jurídica de apostas.
Enquanto o mercado de apostas busca diferenciar plataformas autorizadas de operadoras ilegais, o setor de publicidade continua sob escrutínio. Representantes do setor argumentam que o mercado ilegal ignora normas de proteção ao consumidor e utiliza promessas enganosas, o que impacta diretamente a percepção pública sobre a atividade como um todo.