A tensão militar no Estreito de Ormuz escalou significativamente nesta segunda-feira (4), com declarações divergentes entre Washington e Teerã sobre o domínio da via comercial. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que o país detém o “controle total” da região e anunciou a reabertura da passagem, que estava bloqueada pelo Irã desde fevereiro. Em contrapartida, o governo iraniano reiterou sua autoridade sobre o estreito, enquanto o presidente Donald Trump iniciou o “Projeto Liberdade”, uma operação militar de escolta que mobiliza destróieres, 15 mil soldados e mais de 100 aeronaves para garantir o fluxo de navios comerciais.
No cenário de confrontos diretos, os Emirados Árabes Unidos relataram a interceptação de três mísseis iranianos em suas águas territoriais, enquanto um quarto projétil caiu no mar. Paralelamente, autoridades de Abu Dhabi denunciaram um ataque de drones contra um petroleiro da estatal ADNOC. O clima de instabilidade na região também levou o governo da Coreia do Sul a investigar um possível ataque contra uma embarcação de sua bandeira. Apesar das denúncias, a mídia estatal do Irã citou fontes militares para afirmar que o país “não tem planos de atacar os Emirados Árabes Unidos”.
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã confirmou o uso de armamento pesado para advertir embarcações norte-americanas que se aproximavam do Estreito de Ormuz. Segundo o comunicado oficial, foram disparados mísseis de cruzeiro, foguetes e drones de combate após os navios ignorarem avisos de rádio. “Diante da desconsideração do alerta inicial pelos destróieres americanos, a Marinha iraniana emitiu um aviso com disparos de advertência nas proximidades das embarcações inimigas”, declarou o comando militar. Teerã alegou ter atingido uma fragata dos EUA, informação que foi desmentida por fontes do governo Trump ao site Axios.
No monitoramento do tráfego comercial, dados da plataforma MarineTraffic e do TankerTrackers indicam que o navio cargueiro Xavia, carregado com gás natural liquefeito iraniano, conseguiu atravessar o bloqueio no Golfo de Omã rumo à China. Simultaneamente, o presidente Donald Trump informou que dois navios mercantes com bandeira dos Estados Unidos completaram a travessia do estreito com sucesso. Para mitigar riscos, o Centro Conjunto de Informação Marítima estabeleceu uma área de segurança reforçada, recomendando que embarcações civis utilizem as águas territoriais de Omã.
No campo diplomático, o Paquistão atuou como mediador ao coordenar a devolução de 22 tripulantes iranianos de um navio apreendido em abril, classificando a ação como um “gesto de construção de confiança”. O Ministério das Relações Exteriores do Irã indicou que mantém diálogos com Omã para estabelecer protocolos de passagem segura, embora o general Abdollahi tenha reforçado que a segurança em Ormuz será mantida “com toda a força” pelas Forças Armadas iranianas. O comando militar de Teerã alertou que qualquer tentativa de entrada não coordenada de forças estrangeiras na região poderá resultar em novas respostas militares.
