A expansão global da inteligência artificial e da computação em nuvem impõe um novo desafio para o setor de tecnologia: a necessidade de garantir suprimento elétrico estável e sustentável. Segundo dados da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), a demanda global por eletricidade voltada a data centers cresce cerca de 12% ao ano, com previsão de dobrar até 2030. Nesse cenário, o Brasil apresenta vantagens competitivas devido à sua matriz energética, que atingiu 228,2 gigawatts (GW) de capacidade instalada renovável em 2025.
O relatório da Irena aponta que sistemas híbridos, que integram geração solar, eólica e armazenamento em baterias, oferecem uma alternativa viável para fornecer energia contínua a consumidores intensivos. O custo nivelado dessa energia firme caiu significativamente, situando-se entre US$ 54 e US$ 82/MWh em 2025 nas regiões mais favoráveis. Para o Brasil, as projeções indicam que projetos solares com baterias na Bahia podem atingir um custo de US$ 44/MWh até 2030, reforçando a competitividade frente a modelos convencionais.
A agilidade na implementação é um fator determinante para os operadores de infraestrutura digital, que enfrentam gargalos em mercados mais maduros. Sistemas híbridos podem ser comissionados em até dois anos após a obtenção de licenças e conexão à rede. O uso de tecnologia, como a que envolve o desenvolvimento de soluções digitais semelhantes ao uso de inteligência artificial, exige que a oferta de energia acompanhe o ritmo acelerado da transformação digital, mantendo metas climáticas corporativas.
Apesar do potencial, a consolidação do país como um centro para a economia digital depende da modernização do ambiente regulatório. A segurança jurídica, pilar histórico do setor elétrico nacional, precisa ser adaptada para contemplar a geração distribuída e o armazenamento em baterias. A clareza nas regras é essencial para assegurar que o potencial de recursos renováveis se converta em projetos de longo prazo, garantindo a estabilidade necessária para atender a sistemas críticos e operações de manufatura avançada.
O Nordeste brasileiro emerge como uma região prioritária devido à abundância de recursos e à disponibilidade territorial para projetos de infraestrutura. A integração de baterias resolve a intermitência das fontes solar e eólica, permitindo que a energia seja armazenada e utilizada em horários de pico. Com o planejamento adequado de redes e contratos, o país busca se posicionar não apenas como um consumidor de tecnologia, mas como um fornecedor estratégico da base física necessária para o funcionamento global de data centers.
