A Braskem (BRKM5) caminha para uma melhora em sua rentabilidade no segundo trimestre de 2026, impulsionada principalmente pela recuperação dos spreads petroquímicos. Segundo análise do BB Investimentos, o cenário de maior volatilidade internacional, influenciado pelos conflitos no Oriente Médio, gerou um impacto positivo nas margens da companhia, apesar de desafios estruturais persistentes no setor que limitam uma retomada mais robusta.
Os dados operacionais revelam um comportamento misto. Enquanto a demanda se mantém pressionada, com recuos nas vendas de químicos e resinas no Brasil e no exterior, as margens foram beneficiadas por um salto nos spreads. No mercado brasileiro, o indicador para resinas disparou 82%, enquanto os spreads de químicos avançaram 98%. O analista Daniel Cobucci ressalta que, embora os volumes estejam contidos e a utilização das plantas continue baixa, a expansão de margens é o principal vetor de recuperação neste período.
A situação operacional da empresa varia conforme a região. No Brasil, a taxa de utilização das unidades subiu para 70%, ainda que as vendas tenham sofrido com o impacto das importações. Nos Estados Unidos e na Europa, a utilização caiu para 76% devido a paradas programadas, enquanto a operação no México registrou o cenário mais desafiador, com utilização em 43% e queda de 11% no volume de vendas. O momento atual da bolsa de valores brasileira acompanha essa incerteza, com os papéis da Braskem acumulando desvalorização de 34% nos últimos 12 meses.
Além dos fatores operacionais, o BB Investimentos pontua avanços na governança, citando o acordo de acionistas entre Petrobras e IG4, além das negociações com credores. Entretanto, a recomendação para o ativo permanece como “Neutra”. A avaliação é de que a elevada alavancagem financeira da companhia e as incertezas sobre sua reestruturação ainda mantêm a relação risco-retorno desfavorável para os investidores no curto prazo.
Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: UOL Economia
