A Vale (VALE3) reforçou seu compromisso com a remuneração aos acionistas após anunciar a distribuição de R$ 2,03 por ação em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP), além de um novo programa de recompra de papéis. Em teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre de 2026, o diretor financeiro, Marcelo Bacci, explicou que a estratégia de retorno aos investidores seguirá vinculada à geração de caixa operacional no segundo semestre. O foco da companhia permanece na redução da dívida líquida expandida, que atingiu US$ 16,7 bilhões em junho, visando um patamar de referência de US$ 15 bilhões.
À medida que a alavancagem se aproxima da meta de US$ 15 bilhões, a empresa planeja ganhar flexibilidade para decidir entre dividendos extraordinários e recompras. O cenário financeiro atual é marcado por uma revisão no guidance de custos, influenciada por fatores como a valorização do real e o preço do petróleo. Segundo Bacci, cerca de 70% do aumento nos custos reflete efeitos conjunturais. O mercado financeiro segue atento a esses movimentos corporativos, em um período em que os mercados reagem a balanços corporativos e dados fiscais globais.
Para mitigar volatilidades, a Vale tem otimizado sua logística e ampliado proteções financeiras (hedge). O vice-presidente executivo, Rogério Nogueira, destacou que 75% da carteira logística está protegida por contratos de longo prazo, reduzindo a exposição ao mercado spot para menos de 10%. Além disso, a companhia mantém otimismo com o mercado de minério de ferro, sustentado pela resiliência da demanda externa e pelas perspectivas para a produção de aço, enquanto a bolsa de valores brasileira enfrenta instabilidade técnica em meio a ajustes de portfólio dos investidores.
O plano de crescimento da Vale também contempla a expansão na produção de metais básicos, com destaque para o cobre. O CEO, Gustavo Pimenta, confirmou que o projeto Bacaba entrará em operação no terceiro trimestre de 2027, antecipando o cronograma original. Esta iniciativa faz parte de um conjunto de seis projetos destinados a elevar a produção anual de cobre para 700 mil toneladas até 2035. Shaun Usmar, CEO da Vale Base Metals, reforçou que a reestruturação da unidade permitiu reduzir investimentos necessários e elevar o retorno esperado dos projetos para cerca de 70%.