A Força Aérea dos Estados Unidos registrou a perda de um Boeing E-3 Sentry, uma das aeronaves mais importantes de seu inventário, após um ataque com mísseis iranianos na base de Prince Sultan, na Arábia Saudita. O incidente ocorreu na última sexta-feira (27) e atingiu o avião-radar enquanto ele estava estacionado ao ar livre, uma vez que a unidade militar não dispõe de hangares reforçados com concreto. Além do E-3, outros três aviões de reabastecimento KC-135 Stratotanker foram danificados na mesma ação, o que aponta para falhas na proteção de ativos estratégicos em meio às tensões no Oriente Médio.
Capacidade estratégica e custos elevados
O Boeing E-3 Sentry desempenha um papel fundamental no controle do espaço aéreo e na coordenação de bombardeiros em um raio de 400 quilômetros. Com um custo estimado em até US$ 500 milhões por unidade após modernizações, o modelo é uma peça rara na frota americana, que contava com apenas 16 unidades operacionais antes do início das hostilidades. Esta é a primeira vez que um exemplar deste modelo é destruído por fogo inimigo desde que entrou em serviço, e não há um substituto imediato disponível, já que o sucessor planejado, o E-7 Wedgetail, ainda não foi incorporado pela Força Aérea dos EUA.
A ofensiva iraniana também causou danos em outras instalações na região, incluindo uma base no Bahrein que abriga aviões de patrulha marítima P-8 Poseidon. O uso de mísseis balísticos e enxames de drones tem desafiado os sistemas de defesa antiaérea, que enfrentam dificuldades técnicas para lidar com ataques de saturação. Diante das baixas, o chefe do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, questionou a capacidade de proteção das tropas estrangeiras ao declarar: “Se vocês não conseguem proteger soldados em suas bases, como os protegerão em nosso solo?”.
Apesar das perdas materiais americanas, o Irã também registrou baixas significativas em sua estrutura de comando, incluindo a confirmação da morte de Alireza Tangsiri, chefe naval da Guarda Revolucionária. Enquanto isso, o cenário geopolítico aponta para possíveis movimentações estratégicas no Estreito de Hormuz, por onde circula 20% do petróleo e gás natural do mundo. Relatos indicam que o governo dos EUA avalia operações para assegurar o fluxo comercial na ilha de Kharg, embora a presença de tropas terrestres na região ainda seja reduzida e apresente riscos operacionais.
