O papel das emendas parlamentares no financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) tem gerado debates sobre a eficiência e a transparência na aplicação desses recursos. De acordo com um boletim divulgado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), as emendas foram responsáveis por 22% dos R$ 10,3 bilhões destinados a investimentos no SUS ao longo de 2024. Esses valores são majoritariamente aplicados em obras e na modernização de estruturas do sistema público de saúde.
Na Atenção Primária à Saúde (APS), que atua na vacinação e em serviços básicos como pré-natal, o cenário de alocação de verbas apresenta particularidades. Dados do Ieps indicam que, em 2025, 65,7% dos itens financiados por emendas individuais foram classificados como “Infraestrutura e Material de Escritório”, englobando itens como computadores e aparelhos de ar-condicionado. Em contrapartida, equipamentos médicos de baixo custo, como ultrassons e eletrocardiógrafos, representaram 27,9% do total.
A distribuição geográfica dos recursos também revela disparidades regionais significativas. Enquanto municípios do Norte e Nordeste apresentam taxas de 63% e 59% de recepção de emendas, as regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste registraram proporções mais elevadas, com 85%, 76% e 73%, respectivamente. O estudo aponta ainda que, em cidades com até 10 mil habitantes, a destinação das verbas não seguiu necessariamente um critério de necessidade ou carência econômica, alcançando municípios que já mantinham gastos elevados com recursos próprios.