Kidults: o fenômeno do consumo de brinquedos por adultos sob o olhar da psicologia

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O mercado global de brinquedos tem registrado um crescimento expressivo impulsionado por um público específico: os kidults. Termo utilizado para descrever adultos que consomem itens tradicionalmente associados à infância, como massinhas de modelar, blocos de montar, pelúcias e colecionáveis, esse comportamento desafia a visão de que brincar é uma atividade exclusiva de crianças.

Segundo a psicóloga Mariana Ramos, o fenômeno não indica, necessariamente, um desejo de retornar à infância, mas sim uma forma de suprir necessidades emocionais pouco atendidas na vida adulta. A especialista aponta que esses objetos atuam como gatilhos de memórias afetivas. “Em outras palavras, não é exatamente o brinquedo que faz, mas o que ele representa”, afirma Ramos, explicando que o cérebro associa esses itens a experiências prazerosas.

A tendência também está conectada a um contexto de alto estresse cotidiano. Em uma sociedade que exige produtividade constante e desempenho elevado, atividades lúdicas como montar quebra-cabeças ou pintar miniaturas surgem como estratégias de autorregulação. Essas práticas podem levar ao estado de flow, descrito como uma imersão completa em uma atividade que equilibra desafio e habilidade, gerando foco e satisfação.

Além do alívio imediato do estresse, a prática desses hobbies pode estimular a neuroplasticidade. Conforme explica a professora de psicologia, o cérebro utiliza esses momentos para reorganização, e não como uma perda de tempo. No entanto, é fundamental manter o equilíbrio: o hábito deve ser uma fonte de prazer e não uma ferramenta para evitar responsabilidades ou conflitos reais.

Por fim, o movimento dos kidults reflete uma busca por leveza em rotinas marcadas por cobranças. A principal lição dessa tendência, segundo a psicóloga, é a valorização do direito de brincar sem culpa, resgatando uma forma de lazer que muitos adultos acabam abandonando ao longo de suas trajetórias.

Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: Steal The Look

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