Facção no Rio de Janeiro monitora em tempo real cidade na Paraíba

facção criminosa em Cabedelo

A cidade de Cabedelo, na Paraíba, enfrenta uma situação em que o sistema de monitoramento urbano, originalmente destinado à segurança pública, é operado por grupos paralelos. Investigações apontam que as câmeras instaladas em pontos estratégicos do município servem como ferramentas de vigilância para uma facção criminosa em Cabedelo. Em vez de proteger a população, a tecnologia permite que criminosos monitorem a movimentação nas ruas e a chegada de forças policiais em tempo real.

O alcance desse controle remoto ultrapassa as fronteiras estaduais, atingindo o estado do Rio de Janeiro. Um líder criminoso, baseado no Complexo do Alemão, conseguia acessar as imagens das câmeras em solo paraibano, a cerca de 2.483 quilômetros de distância. Em registros de vídeo que fazem parte das apurações, é possível observar homens acompanhando as telas de monitoramento, com um deles chegando a comentar: “Ó o plantão aqui, ó”.

Impacto político e operações da Polícia Federal

A crise na segurança está conectada a instabilidades na gestão municipal. Em abril deste ano, o prefeito Edvaldo Neto (Avante) foi afastado de suas funções por ordem judicial. A medida ocorreu após uma operação da Polícia Federal que investiga fraudes em processos licitatórios e o desvio de verbas públicas. O inquérito busca detalhar como agentes políticos teriam estabelecido vínculos com organizações criminosas para a manutenção de esquemas ilícitos na cidade.

Edvaldo Neto ocupava o cargo de forma interina desde 2025, assumindo o posto após a cassação do antigo prefeito, André Coutinho, que também foi alvo de suspeitas de envolvimento com facções. O afastamento mais recente foi determinado apenas dois dias depois da realização de eleições suplementares no município. O histórico de substituições no Poder Executivo faz parte das investigações que buscam desarticular a influência de grupos criminosos na administração de Cabedelo.

Com uma população estimada em 66.519 habitantes pelo Censo de 2022, a cidade litorânea busca agora retomar o controle de sua infraestrutura tecnológica. O uso indevido das câmeras de segurança por facções motivou novas diretrizes para a fiscalização dos sistemas de vigilância urbana. As autoridades trabalham para garantir que os recursos públicos de monitoramento sejam protegidos contra acessos externos não autorizados, devolvendo a finalidade de proteção aos moradores da região.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *