O Governo do Distrito Federal (GDF) oficializou o novo modelo de cuidado integrado voltado à população em situação de rua da capital. Segundo a governadora Celina Leão, o protocolo já obteve a adesão de 44 pessoas para o processo de internação humanizada. A medida segue a sanção de uma lei recente que autoriza o acolhimento e a internação involuntária em casos específicos de dependência química ou transtornos mentais.
O mapeamento realizado pelo Executivo local identificou 500 pontos de concentração de pessoas vivendo nas ruas, com 247 sendo monitorados ativamente. Sobre a adesão inicial, a governadora afirmou: “Para vocês terem noção, 44 pessoas que precisam de tratamento já aceitaram a internação voluntária. Dessas, 22 pessoas querem retornar para os seus locais de origem”. O programa integra diversas pastas, incluindo as secretarias de Desenvolvimento Social, Saúde e Justiça, além do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
O fluxo de atendimento prioriza a abordagem voluntária, mas permite a internação involuntária caso o indivíduo ofereça risco a si ou a terceiros. Nesses casos, uma equipe especializada avalia a necessidade de remoção. O procedimento clínico prevê estabilização em unidades de pronto atendimento ou hospitais antes do encaminhamento à Unidade Psiquiátrica de Emergência do Hospital São Vicente de Paulo, onde a internação pode durar até 90 dias.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) emitiu um relatório técnico apontando a necessidade de aprimorar a articulação da rede de assistência. O documento destaca gargalos estruturais e de pessoal em diversas unidades, como os Caps de Samambaia, Taguatinga e Ceilândia. O órgão reforça que a implementação dessa política pública demanda um amplo debate democrático com a participação de movimentos sociais e conselhos de direitos para garantir a proteção integral dos cidadãos.