Greve da CPTM: só 3 dos 126 maquinistas necessários trabalharam no segundo dia
A greve da CPTM chegou ao segundo dia nesta quarta-feira (5) com o comparecimento de três dos 126 maquinistas necessários para a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, segundo a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. O número corresponde a menos de 3% do quadro de condutores previsto para as três linhas.
De acordo com a CPTM, o efetivo total disponível nas linhas era de 47% às 7h, período de pico, abaixo dos 80% definidos pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT). A companhia informou ter acionado um plano de contingência, com 23 supervisores conduzindo composições para manter parte do atendimento aos passageiros. A paralisação também foi relacionada ao aumento dos congestionamentos em São Paulo durante a greve dos trens.
A decisão judicial estabeleceu a manutenção de 80% dos empregados na operação nos horários de pico e de 60% nos demais períodos. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 400 mil ao Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (STEFZCB). Para o presidente da CPTM, o sindicato voltou a descumprir a determinação.
Em entrevista ao Bom Dia SP, o presidente da companhia declarou: “A nossa estratégia era ter as estações sendo abertas de forma gradativa, conforme esse percentual de funcionários fosse entrando nas suas escalas naturais para respeitar o que foi determinado pela Justiça. Como isso não vem acontecendo, a gente não tem conseguido avançar em abrir novas estações”. Ele também afirmou que governo e CPTM mantiveram diálogo com a entidade sindical.
A greve foi deflagrada em oposição à concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade à Trivia Trens. Os ferroviários pedem a reestatização definitiva das linhas, garantias de emprego para os trabalhadores da CPTM e a aprovação do Projeto de Lei nº 730/2025, de autoria do deputado Guilherme Cortez (PSOL), que prevê a absorção de empregados da estatal por órgãos da administração pública estadual após concessões. A mobilização havia sido anunciada anteriormente pelos ferroviários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.
Segundo o STEFZCB, que representa 4.700 empregados da CPTM, somente 11% dos funcionários das três linhas concedidas foram transferidos para a nova operadora. A Trivia Trens informou contar com cerca de 2.400 colaboradores, sendo 2.100 diretamente envolvidos na operação e na manutenção, dos quais aproximadamente 230 vieram da CPTM. As linhas voltaram temporariamente à operação da estatal por 90 dias, após determinação da Artesp diante de falhas nos primeiros dias de atuação da concessionária. Até a última atualização, o sindicato não havia se manifestado sobre os números divulgados pela CPTM na quarta-feira.
Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: UOL Notícias
