O incêndio no norte de Mato Grosso segue sem controle e já afeta diretamente a população da região. Em Cláudia, a fumaça encobre a paisagem, enquanto em um assentamento rural entre Cláudia e Nova Santa Helena, moradores enfrentam problemas de saúde.
No assentamento, que abriga cerca de 300 pessoas, a procura por atendimento no posto de saúde aumentou nos últimos dias. “Muita alergia, muita falta de ar, dor de cabeça, por causa de muita fumaça”, relatou a técnica de enfermagem Sirlene Carneiro. As queimadas também trouxeram riscos diretos: árvores queimadas caíram na estrada e arrancaram parte da fiação.
A cozinheira Lidiane Rodrigues Vieira viveu momentos de tensão quando o fogo quase atingiu sua casa, onde estava com a mãe e as filhas. “A minha mãe e a minha menina já entraram gritando: ‘Mãe, está pegando fogo, está pegando fogo’. Não entendi nada. Quando saí aqui, já estava pegando aqui no capim”, contou.
O ponto mais crítico da situação está em Nova Santa Helena, município que lidera a lista nacional de focos de calor das últimas 48 horas. A área atingida já chega a 15 mil hectares. As altas temperaturas da parte da tarde, a baixa umidade relativa do ar e os ventos fortes formam uma combinação perfeita para o avanço das chamas, que consomem áreas de reserva e propriedades rurais.
O agricultor Luiz Lemos Martins luta para resgatar as 250 cabeças de gado cercadas pelo fogo e teme pelos próximos meses. “E agora não sei mais o que fazer, não tem mais o que fazer. Não sei nem estimar o prejuízo que nós vamos ter aí. Ainda tem três meses para chover ainda, é complicado, não dá nem para falar, na verdade. E é só Deus mesmo, só um milagre mesmo para salvar, porque não tem mais o que fazer, não tem jeito”, desabafou.
Imagem meramente ilustrativa. Crédito da ilustrativa: UOL Notícias
