A Justiça de Santa Catarina determinou a soltura de dois suspeitos de envenenarem 12 funcionários de um posto de saúde em Santa Cecília, no Oeste do estado. A tia e o sobrinho, que estavam em prisão preventiva desde outubro de 2025, foram liberados após a conclusão da fase de instrução do processo. A decisão ocorreu na última quinta-feira (23), após o depoimento dos réus e de mais de 20 testemunhas ouvidas durante o período entre segunda e quarta-feira.
Detalhes do incidente e substância utilizada
O caso ocorreu no dia 21 de outubro, quando a substância clonazepam foi misturada a um refrigerante e servida aos trabalhadores da unidade de pronto-atendimento. Entre as vítimas intoxicadas estavam médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, farmacêuticos e profissionais da recepção. Os servidores apresentaram sintomas graves, como tontura, vômito, sonolência, inchaço abdominal e dificuldades na fala logo após o consumo da bebida manipulada.
Durante as investigações, a Polícia Civil localizou o medicamento controlado na residência da mulher investigada. O clonazepam é um calmante amplamente utilizado para tratar distúrbios de ansiedade e sono, sendo o medicamento desta categoria mais vendido no Brasil. A motivação apontada pelo Ministério Público para o crime seria vingança, envolvendo questões administrativas e disciplinares dentro do ambiente de trabalho da unidade de saúde local.
Motivações apontadas pela investigação
De acordo com a denúncia, o homem de 41 anos trabalhava no local, mas havia sido afastado duas semanas antes do episódio devido a uma acusação de importunação sexual. Já a sua tia, de 54 anos, teria agido por insatisfação com a unidade de saúde após ter um tratamento médico considerado irregular negado pelos profissionais. Ambos permanecem à disposição do Poder Judiciário enquanto o processo segue em tramitação regular na comarca.
Em nota oficial, a defesa do acusado afirmou que a revogação da prisão preventiva ocorreu por se verificar a “ausência de perigo gerado pelo estado de liberdade do acusado, bem como a ausência concreta de fatos novos ou contemporâneos que justifiquem a manutenção da medida extrema”. Os advogados reforçaram que a liberdade provisória foi concedida mediante o cumprimento de medidas cautelares e que o réu tem colaborado com o esclarecimento dos fatos desde o início das investigações policiais.
Com o encerramento da coleta de provas orais, o processo entra em novas etapas judiciais para definir a responsabilidade dos envolvidos no envenenamento em Santa Cecília. A decisão judicial destaca o respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência até que haja uma sentença definitiva. A comunidade local acompanha o desfecho do caso, que gerou repercussão pela natureza do crime e pelo número de profissionais de saúde atingidos simultaneamente.
