O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim (MG), nesta sexta-feira (20), para anunciar um aporte de R$ 9 bilhões em infraestrutura. Durante o evento, o chefe do Executivo enfatizou que a Petrobras deve cumprir uma função social e estratégica para o país, apesar de ser uma empresa de economia mista com ações listadas na bolsa. Lula afirmou que “a Petrobras é de economia mista, tem ações na bolsa, respeitamos tudo isso, mas ela tem que saber que não é dona do Brasil, o Brasil que é dono dela”.
Impactos da privatização da BR Distribuidora
A crítica central do discurso focou na privatização da antiga BR Distribuidora, hoje conhecida como Vibra Energia. Segundo o presidente, a ausência de uma rede de distribuição própria dificulta que as reduções de preços definidas pela estatal cheguem efetivamente aos postos de combustíveis. Ele argumentou que o desmonte dessa estrutura removeu um importante mecanismo de regulação do mercado de gás e combustíveis, deixando o consumidor final dependente das margens estabelecidas pelo setor privado.
Em relação aos custos para o cidadão, o presidente citou a disparidade entre o valor de saída das refinarias e o preço final praticado no varejo. Lula destacou que a Petrobras entrega o botijão de gás de 13 kg por valores entre R$ 37 e R$ 38, enquanto o consumidor chega a pagar até R$ 150. “Não é possível a Petrobras entregar um botijão de gás de 13 kg por R$ 37, R$ 38, e chegar a R$ 150 ao consumidor”, declarou, pontuando que o lucro dos intermediários não deve ocorrer em detrimento da população.
Medidas para o controle do diesel
Para tentar conter a escalada nos preços do diesel, o governo federal implementou medidas como a isenção de impostos federais e tem buscado negociar a redução do ICMS com as gestões estaduais. O presidente relembrou que, em momentos de crise internacional no setor de petróleo, como durante tensões geopolíticas envolvendo o Irã, o governo buscou saídas rápidas para proteger o mercado interno, mas enfrenta obstáculos quando o setor privado aplica reajustes sem critérios técnicos definidos pela estatal.
O plano de expansão da companhia também inclui a possível recompra da refinaria de Mataripe, localizada na Bahia. A unidade, anteriormente chamada de Landulpho Alves (Rlam), foi vendida para o grupo Acelen durante a gestão anterior. Lula sinalizou que a empresa pretende retomar o controle da planta para fortalecer sua capacidade produtiva, afirmando que “eles venderam a refinaria da Bahia, nós vamos comprar a refinaria da Bahia”. Ele concluiu afirmando que a companhia retomou índices elevados de rentabilidade ao focar em investimentos essenciais para o desenvolvimento nacional.
