Cuba descarta negociar permanência de Miguel Díaz-Canel em conversas com EUA

Miguel Díaz-Canel

O governo de Cuba rejeitou oficialmente qualquer possibilidade de colocar seu sistema político ou a permanência do presidente Miguel Díaz-Canel como pauta nas atuais negociações entre Cuba e Estados Unidos. A declaração surge após relatos na imprensa internacional de que o governo de Donald Trump estaria buscando a remoção do líder cubano do poder em troca de alívio econômico. Em coletiva de imprensa, o vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossio, foi enfático ao declarar: “Posso confirmar categoricamente que … o sistema político de Cuba não está em negociação, e é claro que nem o presidente nem a posição de qualquer funcionário em Cuba estão sujeitos a negociações com os Estados Unidos”.

Relatórios publicados pelo USA Today e pelo New York Times indicam que a administração Trump estaria articulando um acordo para relaxar restrições comerciais e o bloqueio petrolífero que pressiona a economia da ilha. Em contrapartida, os Estados Unidos exigiriam uma “saída” para Díaz-Canel, que possui dois anos restantes de mandato presidencial e cinco anos como líder do Partido Comunista. Segundo as fontes citadas nos relatórios, a proposta norte-americana não afetaria a família de Fidel e Raúl Castro, mantendo a influência do ex-presidente de 94 anos, enquanto o atual ocupante do cargo, de 65 anos, deixaria o posto.

Soberania e o modelo de transição política

A estratégia sugerida assemelha-se ao processo ocorrido na Venezuela, onde os Estados Unidos apoiaram a transição para um governo interino. No entanto, autoridades cubanas reforçam que a estrutura de poder em Havana é distribuída entre a cúpula do Partido Comunista e as forças armadas, o que difere da centralização observada em períodos anteriores da revolução. Apesar da crise econômica profunda e da postura de Donald Trump, que afirmou poder fazer “qualquer coisa que eu queira” em relação ao país vizinho, Cuba mantém a posição de que sua soberania interna não é um item permutável em acordos diplomáticos.

Mesmo com o impasse sobre a liderança política, De Cossio admitiu que existem diversos temas de interesse mútuo que justificam o diálogo bilateral, como o restabelecimento do comércio e as pendências de indenização de ambos os lados. Atualmente, existem 5.913 reivindicações de cidadãos americanos cujas propriedades foram nacionalizadas após a revolução de 1959, enquanto Cuba demanda compensações pelos danos causados pelo embargo econômico de longa data. Sobre esses tópicos, o vice-ministro afirmou que “estas são questões muito complexas que podem ser discutidas, mas elas exigem diálogo”, reforçando que são assuntos legítimos para a mesa de negociações.

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