O Ministério da Educação (MEC) apresentou, nesta quarta-feira (20), os resultados da primeira edição da Prova Nacional Docente, iniciativa que visa aprimorar a seleção de educadores no Brasil. Dos 760,1 mil participantes que realizaram o exame, cerca de 266 mil profissionais — o equivalente a 35% do total — não conseguiram atingir o nível de proficiência básica exigido. A avaliação foi implementada como parte de um conjunto de medidas para elevar o padrão da formação docente e, consequentemente, o aprendizado nas salas de aula.
Desempenho por áreas e perfil dos candidatos
Os dados detalhados revelam disparidades acentuadas entre as disciplinas avaliadas. Enquanto na área de ciências humanas apenas 20% dos candidatos ficaram abaixo do patamar mínimo, o cenário em matemática é considerado crítico, com mais da metade dos participantes falhando em alcançar o desempenho básico. Além disso, o levantamento indicou que os estudantes que ainda estão concluindo a licenciatura tiveram resultados inferiores aos profissionais já formados, registrando uma taxa de 42% de insuficiência.
Segundo o ministro da Educação, Leonardo Barchini, a criação deste instrumento é fundamental para o apoio técnico às redes de ensino. “O ensino melhora quando a gente qualifica melhor e seleciona melhor os profissionais”, destacou o ministro. Barchini ressaltou que, apesar dos índices negativos em certas áreas, 493 mil participantes foram considerados proficientes, volume que supera a necessidade anual de renovação de 5% do quadro docente nacional, estimada em 118 mil novos professores.
Até o momento, 1.530 redes de ensino aderiram ao uso da Prova Nacional Docente em seus processos seletivos, utilizando os resultados de forma classificatória ou eliminatória conforme sua autonomia. Dados de um estudo do Movimento Profissão Docente mostram que o exame já serviu de base para a contratação de 16,9 mil professores, sendo que 97% dessas vagas foram destinadas a cargos temporários. Estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e Roraima, além de 49 municípios, já utilizam o sistema para reforçar seus quadros de profissionais.
O cronograma para a continuidade do projeto já está definido pelo governo federal. A próxima edição do exame está marcada para o dia 20 de setembro de 2026, com o período de inscrições previsto para ocorrer entre 22 de junho e 3 de julho do mesmo ano. O objetivo é consolidar a prova como uma porta de entrada qualificada para o magistério, auxiliando secretarias que enfrentam dificuldades em realizar concursos públicos próprios ou que selecionam profissionais sem critérios técnicos de qualidade.
