A Polícia Federal detalhou o funcionamento de uma organização criminosa ligada a Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, investigada no âmbito da Operação Compliance Zero. Relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) descrevem a existência de dois núcleos principais coordenados por Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”: o grupo “A Turma”, focado em ameaças e monitoramento físico, e o núcleo “Os Meninos”, especializado em ataques cibernéticos e invasões telemáticas. As atividades incluíam a obtenção de dados sigilosos e o uso de sistemas governamentais para pressionar desafetos do ex-banqueiro.
Tentativas de Hacking e Prisões Internacionais
Entre as ações documentadas pela investigação, destaca-se a tentativa de invadir os dispositivos do jornalista Lauro Jardim. Mensagens obtidas pela PF revelam que Vorcaro solicitou diretamente a Mourão: “Preciso hackear esse Lauro”. Em resposta, o intermediário afirmou que acionaria o grupo técnico para realizar a tarefa: “vou mandar fazer isto. já pedi aos meninos para fazer isto. mandar no e-mail”. A investigação também resultou na prisão de Victor Lima Sedlmaier, em Dubai, sob a suspeita de integrar o braço tecnológico do grupo criminoso.
Intimidação Física e o Papel de ‘A Turma’
O núcleo operacional “A Turma” realizava vigilância e pressão física contra indivíduos considerados desafetos de Vorcaro. Relatos de vítimas, como o ex-capitão de seu iate, Luis Felipe Woyceichoski, mencionam ameaças de morte feitas por grupos de homens, incluindo a participação do bicheiro Manoel Mendes Rodrigues. De acordo com a decisão do ministro André Mendonça, esses elementos situam Rodrigues como um dos “executores identificáveis do braço presencial da organização, em ações concretas de ameaça, monitoramento e pressão física sobre desafetos de Daniel Vorcaro”.
Desdobramentos Judiciais e Novas Detenções
A sexta fase da operação levou à expedição de sete mandados de prisão preventiva, incluindo a detenção de Henrique Vorcaro, pai de Daniel. O próprio ex-banqueiro voltou a ser preso sob a suspeita de interferir no andamento das apurações após a morte de Felipe Mourão, que atentou contra a própria vida durante uma abordagem policial em março. Atualmente, duas pessoas ligadas ao esquema permanecem foragidas, enquanto a Polícia Federal continua a reunir informações sobre o uso de links maliciosos e monitoramento telefônico ilegal praticado pela organização.
